Presidenciais 2026
Portugal volta a escolher o seu Presidente da República. À primeira vista, mais uma eleição; na realidade, um teste à nossa maturidade democrática enquanto país. Num tempo marcado pela velocidade da opinião, pela política em formato curto e pela tentação do aplauso fácil, importa recordar que o Presidente da República não é um comentador permanente da atualidade, mas um pilar do sistema democrático.
O Presidente não governa, mas condiciona. Não legisla, mas influencia. Não define políticas públicas, mas detém poderes decisivos, como convocar, vetar, dissolver e, sobretudo, a capacidade de colocar na agenda temas que muitos preferem ignorar. É uma função de equilíbrio, moderação e responsabilidade institucional.
Ainda assim, o panorama presidencial revela frequentemente uma certa banalização do cargo. Confunde-se proximidade com populismo, autoridade com exposição mediática e visão estratégica com frases pensadas para likes nas redes sociais. A ironia é evidente: num cargo que exige elevação institucional e sentido de Estado, multiplicam-se discursos pobres em substância constitucional. Fala-se muito, mas raramente do essencial: do papel moderador do Presidente, da sua relação com os órgãos de soberania e da sua responsabilidade enquanto garante da autonomia política, administrativa e legislativa das Regiões Autónomas.
Talvez por isso se torne cada vez mais claro o tipo de Presidente de que o país precisa. Um Presidente que não procure o ruído, mas a contenção. Que recuse a promessa fácil e privilegie a clareza institucional. Que veja a Presidência como uma instituição e não como um palco. Alguém que reconheça limites, valorize equilíbrios e compreenda que a diversidade do país, incluindo a sua dimensão autonómica, é uma expressão madura da democracia.
Há ainda um traço indispensável: a forma como se participa no debate público. Num tempo em que discordar parece significar atacar, importa escolher quem saiba afirmar posições sem dividir o país, exercer liderança sem dramatismo e respeitar quem pensa de forma diferente. Num Presidente da República, essa capacidade de unir sem apagar diferenças não é um detalhe, é uma exigência democrática.
Votar nas presidenciais não é um gesto menor nem um mero direito formal, é um ato de responsabilidade democrática. Ir votar é afirmar que a República importa, que a Constituição importa e que o cargo de Presidente da República merece mais do que indiferença. Num tempo de desafeição política, participar é, também, uma forma de exigir mais, de escolher melhor e de reforçar a democracia que tantos dão como garantida.