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Eleições Presidenciais País

Pacote laboral "não tem ponta por onde se lhe pegue"

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FOTO ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

O  candidato presidencial António Filipe afirmou hoje que o pacote laboral "não tem ponta por onde se lhe pegue", defendeu a sua rejeição e disse que no domingo de eleições também é dia de luta contra a proposta governamental.

António Filipe assistiu hoje, em Lisboa, à manifestação convocada pela CGTP-IN. No largo do Calhariz, bateu palmas aos manifestantes, falou com o secretário-geral da central sindical, Tiago Oliveira, que seguia na frente do protesto, recebeu palavras de incentivo para as eleições de domingo e ainda foi cumprimentado pela adversária Catarina Martins, que seguia a meio do protesto.

"Eu acho que este pacote laboral, em geral, não tem ponta por onde se lhe pegue e, portanto, eu acho que o Governo o devia retirar, se o Governo não retirar a Assembleia da República devia rejeitar e acho que é a luta dos trabalhadores que vai ser determinante para que isso seja possível", defendeu António Filipe.

Explicou ainda que "qualquer processo legislativo passa por várias fases e uma delas é a fase da generalidade".

"Eu acho que este pacote laboral deve ser rejeitado na generalidade. Sendo rejeitado na generalidade, ele está rejeitado", sustentou.

Questionado sobre se espera ver na manifestação mais candidatos para além de Catarina Martins, respondeu: - "Não propriamente, não me surpreende que não estejam, mas acho que cada candidato deve mostrar ao que vem e com quem está".

A oposição ao pacote laboral tem sido um dos principais temas de campanha do candidato a Presidente da República apoiado pelo PCP e PEV e, por isso, hoje fez questão de se juntar ao protesto dos trabalhadores.

"Eu tenho dito que só a luta dos trabalhadores derrotará o pacote laboral. Isso está a acontecer. Aliás, a greve geral que houve no dia 11 [dezembro de 2025] e esta manifestação que estamos a assistir aqui é uma grande resposta dos trabalhadores ao pacote laboral", afirmou António Filipe aos jornalistas.

O ex-deputado comunista lembrou que assumiu, desde a primeira hora, a sua oposição à proposta do Governo e que, se for eleito Presidente da Republica, usará "todos os poderes constitucionais para impedir que um retrocesso desta magnitude fosse por diante".

"E tenho dito na campanha eleitoral que as eleições presidenciais também podem ser um momento de luta contra o pacote laboral", reforçou.

António Filipe apontou como "particularmente graves" algumas das 100 alterações ao código do trabalho que são propostas pelo Governo, como a amamentação, a liberação dos despedimentos ou até a proibição de um sindicato entrar numa empresa.

Dirigentes, delegados e ativistas sindicais da CGTP estão hoje a manifestar-se para exigir a retirada do pacote laboral.

Os candidatos são Gouveia e Melo, Luís Marques Mendes (apoiado pelo PSD e CDS), António Filipe (apoiado pelo PCP), Catarina Martins (Bloco de Esquerda), António José Seguro (apoiado pelo PS), o pintor Humberto Correia, o sindicalista André Pestana, Jorge Pinto (apoiado pelo Livre), Cotrim Figueiredo (apoiado pela Iniciativa Liberal), André Ventura (apoiado pelo Chega) e o músico Manuel João Vieira.