Seleção/eleição

Esta é a nossa seleção nacional. Está apresentado o onze inicial, mas afinal, quem merece o título de melhor jogador desta eleição?

Começamos pela baliza, a posição mais ingrata do futebol… e da democracia. Se a bola entra, a culpa é sempre do guarda-redes. Se a liberdade sofre um frango monumental, será acusado de ter vaticinado mal o lance e aberto as pernas ao adversário. Entre os postes está Henrique Gouveia e Melo, frio, disciplinado, mas sempre a um remate do populismo de ser crucificado pelas bancadas.

Na defesa esquerda surge um veterano experiente, mas que já não acompanha extremos velozes, quando o jogo acelera, falta-lhe pulmão. É António Filipe, jogador de leitura tática, mas com dificuldades em transições rápidas. Ao centro da defesa, temos um central de nível europeu, habituado a jogar em Bruxelas, mas com a cabeça permanentemente em Belém. Seguro no passe, mas às vezes longe da realidade do relvado nacional: João Cotrim de Figueiredo.

Na ala direita da defesa aparece um lateral discreto, que sobe pouco mas tenta ganhar protagonismo entre as estrelas do plantel. Passa quase despercebido, mas lá vai cumprindo: Humberto Correia. No apoio ao flanco esquerdo, claramente frágil, entra como quarto defesa um jogador camaleónico, que já passou por vários clubes ideológicos, fez Stop no meio-campo e posiciona-se como trinco improvisado, deixando espaço para os outros jogarem. Eis André Pestana.

Na extrema esquerda, sem grande cobertura defensiva, aparece uma jogadora persistente, sempre fiel ao flanco mesmo quando o terreno já não dá garantias. Defensora incansável da igualdade de género e de outras causas, infiltrou-se no meio dos homens sem precisar de tocar muitas vezes na bola: Catarina Martins.

Com a camisola 7, número mítico que já fez o mundo voltar a olhar para Portugal, surge o intrépido, arrojado e constantemente ostracizado André Ventura. Não sendo o ponta de lança clássico, quer assumir a braçadeira de capitão. Se os portugueses, cansados da estratégia do sistema, perderem a paciência nas bancadas, talvez consiga marcar o golo decisivo. A ver vamos.

No meio-campo das promessas impossíveis e dos compromissos egocêntricos aparece o jogador mais criativo do plantel. Além de sonhos, traz-nos música, Ena Pá 2026! , Manuel João Vieira, o verdadeiro número 10 da fantasia. Na frente de ataque, o jogo é mais confuso. O ataque está cheio de oportunistas e conta ainda com um avançado em permanente fora de jogo, no apoio direto ao ponta de lança: António José Seguro.

Pela direita, conta com a colaboração eficaz e previsível de Luís Marques Mendes. À esquerda, completamente solto de marcação, surge o especialista nos passes de trivela e nas jogadas de bastidores: Jorge Pinto.

No banco ficam os suplentes: Joana Amaral Dias, José Cardoso e Ricardo Sousa, que, depois de verem o cartão vermelho direto do Tribunal Constitucional, ficam impedidos de entrar em campo nesta eleição do Melhor Jogador/Político da Seleção.

A. J. Ferreira