Gouveia e Melo critica "casamentos de conveniência" no PS e lembra Seguro contra Costa
O candidato presidencial Gouveia e Melo criticou hoje "casamentos de conveniência" no PS, num discurso em que lembrou que o seu adversário António José Seguro falou sobre "interesses escondidos" no seu partido.
"Sou um homem ideologicamente ao centro, mas não sou do centrão dos interesses", declarou Gouveia e Melo logo no início da intervenção que proferiu num almoço de apoiantes da sua candidatura, em Famalicão, no distrito de Braga, depois do discurso do seu mandatário nacional, o ex-presidente do PSD Rui Rio.
A seguir, atacou António José Seguro, embora sem o mencionar, por ter pedido, na sexta-feira, em Gavião, uma oportunidade para servir num alto cargo da nação.
"Curiosamente, há uns tempos, ele dizia que eu era um experimentalista. O que me cansa na política é o verdadeiro cinismo - e os portugueses estão cansados deste cinismo", declarou, antes de se referir às eleições primárias no PS, em 2014, disputadas entre Seguro e o atual presidente do Conselho Europeu, António Costa, que este último venceu.
"Não venham agora, com ar pungente, pedir uma oportunidade, porque estiveram 30 anos na política, tiveram as suas oportunidades, não conseguiram vencer nessa altura e agora, com grande descaramento, voltam a pedir uma oportunidade", disse.
Mas o almirante foi ainda mais longe nas suas referências à luta interna que se travou no PS em 2014.
"O que é mais cínico, neste centrão dos interesses, é que houve candidatos que no passado atacaram os seus próprios partidos, falando em interesses escondidos. E essas pessoas que foram atacadas estão agora unidas num casamento de conveniência a ajudarem o candidato. Não percebo isto", rematou o ex-chefe do Estado-Maior da Armada, após uma alusão crítica aos chamados "costistas" que foram apoiar Seguro.