EUA decidirão que petrolíferas explorão petróleo
Os Estados Unidos vão decidir que empresas petrolíferas terão licença para explorar os vastos recursos de hidrocarbonetos da Venezuela, afirmou hoje Donald Trump numa reunião na Casa Branca com líderes do setor.
"Tomaremos a decisão sobre quais as empresas petrolíferas que irão para lá, quais permitiremos que o façam, e firmaremos um acordo com essas empresas. Provavelmente, fá-lo-emos hoje ou pouco depois", disse Trump.
"Uma das razões pelas quais não podiam ir para lá (Venezuela) antes era a falta de garantias. Não havia segurança, mas agora têm segurança total", acrescentou Trump, uma semana depois da operação militar norte-americana em Caracas que levou à captura do líder venezuelano Nicolás Maduro.
Trump afirmou acreditar que as empresas petrolíferas estão prontas para investir "pelo menos 100 mil milhões de dólares" na Venezuela.
Segundo a Casa Branca, as empresas representadas na reunião são a Chevron, ExxonMobil, ConocoPhillips, Continental Halliburton, HKN, Valero, Marathon, Shell, Trafigura, Vitol Americas, Repsol, Eni, Aspect Holdings, Tallgrass, Raisa Energy e Hilcorp.
Apenas a Chevron detém atualmente uma licença na Venezuela, depois de a ExxonMobil e a ConocoPhillips terem abandonado o país em 2007, rejeitando as condições impostas pelo ex-Presidente Hugo Chávez para que o Estado se tornasse o acionista maioritário de todas as empresas.
Caracas possui as maiores reservas comprovadas de petróleo bruto do mundo, com mais de 300 mil milhões de barris, segundo a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), à frente da Arábia Saudita (267 mil milhões) e do Irão.
Na reunião na Casa Branca participam também o vice-presidente JD Vance, o secretário de Estado Marco Rubio e o secretário da Energia Chris Wright.
"Vamos discutir como as principais empresas americanas podem ajudar a reconstruir rapidamente a indústria petrolífera venezuelana, que está em frangalhos, e produzir milhões de barris de petróleo para benefício dos Estados Unidos, do povo venezuelano e do mundo", declarou Trump no início da reunião.
"Vocês negoceiam diretamente connosco, não negoceiam com a Venezuela de forma alguma, não queremos que negoceiem com a Venezuela", frisou.
A produção petrolífera venezuelana é atualmente baixa, limitada a um milhão de barris por dia, após décadas de falta de investimento que deixaram as infraestruturas petrolíferas em mau estado.
Durante o primeiro mandato de Donald Trump, Washington impôs um embargo ao petróleo ao país, altamente dependente das suas exportações de petróleo.
Quando regressou à Casa Branca, no ano passado, Trump revogou a maioria das licenças que permitiam às multinacionais de petróleo e do gás operar na Venezuela, com exceção da Chevron.
O governo norte-americano afirma agora estar pronto para levantar as sanções "seletivamente" para permitir que o petróleo venezuelano seja vendido no mercado tradicional.
O secretário norte-americano da Energia, Chris Wright, afirmou na quarta-feira que os Estados Unidos planeiam controlar indefinidamente a venda de petróleo venezuelano e depositar as receitas dessas transações em contas geridas por Washington.
O secretário afirmou que está a "trabalhar em cooperação direta com os venezuelanos", após o anúncio na terça-feira do Presidente norte-americano, Donald Trump, de que Caracas vai entregar entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo aos Estados Unidos para venda no mercado.
Chris Wright sublinhou que Washington permitirá a venda de petróleo bruto venezuelano para refinarias nos Estados Unidos e em todo o mundo, "mas estas vendas serão feitas pelo governo norte-americano e os fundos serão depositados em contas controladas pelo governo".
Face ao ceticismo das companhias petrolíferas, Wright reconheceu que serão necessários "dezenas de milhares de milhões de dólares e um tempo considerável" para revitalizar a indústria venezuelana.
Os Estados Unidos lançaram no sábado um ataque contra a Venezuela para capturar o líder venezuelano, Nicolás Maduro, e a mulher, e anunciaram que vão governar o país até se concluir uma transição de poder.
Delcy Rodriguez, vice-presidente executiva de Maduro, assumiu a presidência interina do país com o apoio das Forças Armadas.