Luto migratório acarreta sentimento de não pertença e vários desafios
Betania Costa explica que o luto migratório acarreta um sentimento de não pertença e de perdas significativas que têm um impacto na saúde mental das pessoas. A psicóloga aponta que os desafios que se encontram aquando das mudanças trazem várias implicações.
Está a decorrer na Escola Básica e Secundária Padre Manuel Álvares, na Ribeira Brava, a conferência ‘A Diáspora como Estratégia do Futuro’, inserida na Festa Luso-Venezuelana, que decorre na Ribeira Brava, desde hoje e até ao próximo domingo. A sessão está a ser moderada por Victor Hugo, jornalista coordenador das Comunidades do DIÁRIO.
A questão habitacional é uma das grandes preocupações para a população em geral.
Reconhecer que precisa de ajuda a nível da saúde mental continua a ser um assunto tabu, nomeadamente junto das populações mais idosas.
Por seu lado, Ana Bracamonte assume que imigrar representa um renascimento perante um novo contexto social. A vereadora da Câmara Municipal do Funchal assume que a resposta a nível de saúde mental “precisa de ser melhorada”, para promover informação e formação, junto dos professores, dos alunos, de dinâmicas grupais. “É uma área que, sem dúvida, tem de ser reforçada”, indica.
O deputado Carlos Fernandes assume que “deixar tudo para trás é complicado”, mas aponta que há situações políticas, de violência, que ‘obrigam’ a essa tomada de decisão. O parlamentar indica que, muitas vezes, há um sentimento de vergonha por ter perdido tudo aquilo que conquistou ou porque os seus planos fracassaram.
Emílio Rodrigues veio para a Madeira há 8 anos emocionou-se ao falar sobre a vinda para a Madeira, onde chegou “com uma mão à frente e outra atrás”. Quando soube da situação financeira a degradar-se na Venezuela conseguiu investir na Região. Nunca foi sequestrado, mas o seu pai sim. Se fosse para voltar, não o faria pela falta de segurança. “Lá temos duas formas de vida: ou tem e está na boa vida, ou não tens nada. A classe média emigrou”, disse o cidadão. “Há saudades, mas também tenho medo”, disse.
Por seu lado, Ana Isabel Andrade, que tem pais naturais da Ponta do Sol, partilhou a sua história. Nascida na Venezuela, sempre escutou as histórias dos seus pais e viveu a Madeira na Venezuela, através das tradições que eram revividas diariamente. “Sempre que vinha à Madeira, em criança, não queria regressar à Venezuela”, admite.
Ana Bracamonte lembra que além dos problemas ligados à migração, há outros que são transversais à sociedade, como é o caso da habitação. “Não podemos promover a desigualdade”, disse. Por isso as respostas que existem inserem-se naquelas que se aplicam à população em geral, como nas ajudas da SocioHabita Funchal.
Jorge Santos, vice-presidente da Câmara Municipal da Ribeira Brava, assume que o acesso à habitação é um problema transversal “com listas enormes” de pedido de apoio. Aponta que muitos chegam e ficam em casas com parcas condições de habitabilidade. Existe um apoio municipal para habitações degradadas. No âmbito do PRR, seis fogos vão ser disponibilizados no concelho da Ribeira Brava. Jorge Santos afirma que a entrega destas habitações obedece a critérios e responde a auditorias, pelo que não é "com cunhas" que se tem direito a uma casa.
"Não tendo estabilidade financeira há sempre outros problemas que não os da habitação", nomeadamente no que concerne à medicação e alimentação, sendo que a Câmara Municipal da Ribeira Brava tem vindo a disponibilizar apoios nesses âmbitos.