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Regionais 2025 Madeira

Agricultura diversificada em vez de monocultura e pastoreio controlado

Sílvia Sousa Silva falou nos Estados Gerais do PS-Madeira, apontando a várias áreas do sector terciário

Foto Rui Silva/Aspress
Foto Rui Silva/Aspress

Sílvia Sousa Silva, engenheira e antiga deputada do PS na ALRAM, foi uma das oradoras dos Estados Gerais, começou por lançar um olhar aos incêndios na Califórnia que duraram quase um mês, com mais de 3 dezenas de mortos e o mesmo número de desaparecidos, 23 mil hectares destruídos e 16 mil infratestruturas afectadas e milhões de dólares de prejuízos. E falou nesse caso porque, como disse Saramago, é preciso sair da ilha para ver a ilha.

Pelo que, depois de tanto se falar dos incêndios na Madeira, é preciso olhar que estas duas latitudes têm o mesmo clima 'mediterrânico', sendo que lá nos EUA têm operacionais de topo mas não se conseguiram debelar os fogos e combater as forças da natureza. Tal como lá, aqui recusa-se a tirar ilações da história e a desvalorizar as falhas no combate, mas sobretudo na prevenção, no planeamento, na gestão do território, defendeu.

Para Sílvia Sousa Silva há muito trabalho a fazer para acabar com a fobia do fogo, que até passa pela proibição de deitar fogos, revela que muito não tem sido feito para prevenir o crescimento de vegetação sem cuidados. Apesar dos investimentos feitos ao longo dos anos, desde que em 2003 foi retirado o gado da serra, os incêndios arrasaram tudo, e no lugar da floresta nascem espécies invasoras como a giesta e a carqueja.

Defende, por isso, um modelo de pastoreio dirigido, definição e áreas de pastagem, rebanhos que ajudem a gerar receita para quem o pratica.

Na agricultura defende a pequena agricultura familiar como modelo principal para atrair pessoas, nomeadamente jovens, e a prática da policultura em vez da monocultura. Mentalizar os jovens que a agricultura não é só para quem não se dá bem na escola e ensinar novas técnicas e modelos sustentáveis e assentes na biodiversidade, são algumas das ideias deixadas.

Discorda do conceito de investimento extensivo em estufas e hidroponia, que têm o seu espaço, mas não podem ser generalizados por impactarem na paisagem e mais sujeitos a efeitos ambientais.

Defende a actualização da carta dos solos (que tem mais de 30 anos), identificar poios com potencial produtivo, criar reserva agrícola com uma nova lei dos solos, sendo a única região que não adaptou e actualizou a reserva agrícola.

Por fim, a saúde, onde temos a menor esperança de vida, temos excesso de peso e obesidade infantil acima da média e a maior taxa de cancro, defende que se deve apostar na alimentação saudável urgentemente, devendo-se apostar na aceleração da transição para sistemas alimentares mais sustentáveis.

Falou ainda brevemente da pobreza e da exclusão social.