EUA levantam sanções contra juiz brasileiro que preside caso de Bolsonaro
Os Estados Unidos levantaram hoje as sanções financeiras impostas ao juiz brasileiro Alexandre de Moraes, que preside o caso contra o ex-Presidente brasileiro Jair Bolsonaro, aliado de Donald Trump.
O nome do magistrado deixou de constar no registo do Escritório de Controlo de Ativos Estrangeiros (OFAC) do Departamento do Tesouro norte-americano.
O levantamento das sanções ocorre após a mais recente reaproximação entre Trump e seu homólogo brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva.
A medida coincide também com a aprovação, na quarta-feira, de um projeto de lei na Câmara dos Deputados do Brasil que procura reduzir a pena de Jair Bolsonaro, um gesto que foi aplaudido pelo Governo norte-americano.
Os Estados Unidos revogaram o visto de Moraes em julho e impuseram-lhe sanções financeiras após o magistrado ter ordenado uma série de medidas cautelares contra Bolsonaro durante o julgamento por tentativa de golpe.
A medida do Departamento do Tesouro foi enquadrada na Lei Magnitsky, que autoriza o executivo norte-americano a impor sanções a cidadãos estrangeiros envolvidos em atos de corrupção ou violações dos direitos humanos.
Trump também aumentou as tarifas sobre as exportações brasileiras para 50% em retaliação ao julgamento contra Bolsonaro, que foi finalmente condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe após a vitória eleitoral de Lula da Silva em 2022.
Trump e Lula, que prometeu defender a soberania do seu país, começaram a negociar após um encontro nos corredores da Assembleia-Geral da ONU em setembro, em Nova Iorque, momento em que, segundo os líderes, surgiu uma "afinidade" entre ambos.
Os líderes conversaram por telefone pouco depois e encontraram-se pessoalmente em 26 de outubro em Kuala Lumpur (Malásia), numa reunião descrita como positiva por ambos os lados.
Na semana passada, Lula da Silva pediu ao seu homólogo norte-americano que retire as taxas aduaneiras impostas a produtos brasileiros, depois de algumas terem já sido retiradas, frisando que "deseja avançar rápido nessas negociações".
O pedido foi feito durante uma conversa telefónica entre os dois líderes que durou 40 minutos e na qual "trataram de temas da agenda comercial, económica e de combate ao crime organizado", de acordo com a Presidência brasileira.
Os dois chefes de Estados "concordaram em voltar a conversar em breve", destacou o Governo brasileiro.
Já o subsecretário de Estado dos EUA, Christopher Landau, comemorou na quinta-feira a aprovação na Câmara dos Deputados do projeto de lei que procura reduzir a pena de Bolsonaro.
"Finalmente estamos a ver o início de um caminho para melhorar as nossas relações", afirmou Landau.
O projeto de lei, que poderia libertar Bolsonaro da prisão em pouco mais de dois anos, será votado no Senado e, se aprovado, seguirá para Lula, que decidirá se o veta ou não.