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Filhos da Esquerda

No dia 10 de Março de 2024, nas vésperas das comemorações dos 50 anos do 25 de Abril de 1974, Portugal adormeceu com mais de 1 milhão e 100 mil votantes num partido de extrema-direita, unipessoal e cuja única ideia para o país – louvável, mas poucachinha – é “vamos acabar com os tachos e a corrupção.”

Neste particular, importa referir que, durante os – brilhantes – Governos do PS e de António Costa, o Chega cresceu de pouco mais de 67 mil votos em 2019, para mais de 385 mil votos em 2022. Posteriormente, em 2 anos da – intrépida – maioria absoluta do “habituem-se”, este partido ganhou mais de 715 mil votos.

Assim, estas eleições deixaram evidente que este partido, nascido apenas em 2019, e os respectivos resultados eleitorais são filhos da esquerda, do Partido Socialista e, em especial, de António Costa.

Na verdade, em 2020, a AD, nas suas várias “configurações”, somou pouco mais de 1 milhão 491 mil votos. Em 2024, alcançou pouco mais de 1 milhão 870 mil votos. Ao mesmo tempo, em 2020 o PS somou mais de 2 milhões 246 mil votos. Em 2024, quase 1 milhão 760 mil votos.

Ou seja, não obstante a abstenção ter descido de forma significativa, e terem votado mais de 750 mil eleitores do que nas eleições de 2020, o PS perdeu mais de 486 mil votos (só na Madeira, mais de 10 mil). Que, naturalmente, foram transferidos, directa e maioritariamente, para o CH, partido que, para além do mais, também conseguiu a “proeza” de acabar com a “hegemonia” do PCP no Alentejo. E que, hoje em dia, “vale”, sozinho, bem mais que o BE, o PCP, o Livre e o PAN todos juntos (quase 795 mil votos).

Curiosamente – ou talvez não – o eleitorado Madeirense também optou por penalizar o PS-M (que desceu de 31,47% dos votos, para apenas 19,84 %), e não a coligação que sustenta(va) um Governo que foi “destronado” por circunstâncias semelhantes às que ditaram a queda de António Costa.

Sendo certo que esta incompetência do PS-M e do respectivo líder permitiram relegar para segundo plano o facto de a coligação incumbente ter perdido quase 4,5% da sua representatividade total na Região, e de apenas ter conseguido conquistar 2.358 dos 22.672 “novos” votantes da/na Madeira, ou seja, pouco mais de 10% dos mesmos.

Em suma, contas feitas, o “feitiço” do PS, de António Costa, de Augusto Santos Silva e da esquerda radical e antidemocrática, que consistiu em “alimentar” o monstro e em traçar “linhas vermelhas” e “cercas sanitárias”, obviamente, com o principal/único objectivo de debilitar a Direita moderada, e de manter o status quo de empobrecimento e de sequestro do país, “virou-se contra o feiticeiro.”

No futuro, quando, com o devido distanciamento, se escrever a história, o Governo da geringonça, os 2 Governos que se seguiram e António Costa ficarão conhecidos como os “pais” da ascensão de um partido de extrema-direita, a quem “ofereceram” mais de 1 de milhão de votos, assim prejudicando, ainda mais, o futuro de Portugal.

O custo das promessas incumpridas, das mentiras, do nepotismo, da falta de ética, da degradação das instituições e das políticas erradas e inconsequentes dos últimos 19 anos foi/será, de facto, elevadíssimo.

E só a execução das reformas que Portugal reclama poderá inverter esta tendência.