Mundo

Extrema-direita entra em quinto governo em Espanha, em Múrcia

None

O partido de extrema-direita VOX vai integrar o governo da região espanhola de Múrcia, que será liderado pelo Partido Popular (PP, direita), revelaram hoje as duas forças políticas.

Este será o quinto executivo regional de Espanha com uma coligação PP/VOX, que já governam juntos em Aragão, na Extremadura, na Comunidade Valenciana e em Castela e Leão.

As coligações em Múrcia, Aragão, Comunidade Valenciana e Extremadura resultam das eleições regionais de 28 de maio passado, enquanto em Castela e Leão o executivo autonómico do PP/VOX já governa desde 2022.

O acordo hoje fechado em Múrcia (sul de Espanha) garante ao PP a presidência do governo regional e a vice-presidência ao VOX, como acontece em Aragão, em Castela e Leão e na Comunidade Valenciana, segundo um comunicado conjunto divulgado esta sexta-feira pelos dois partidos.

Com este acordo, PP e VOX evitam a repetição das eleições em Múrcia, o que aconteceria se até à próxima quinta-feira o parlamento regional não investisse um presidente do executivo autonómico.

Fernando López Miras, líder do PP em Múrcia, será assim reconduzido como presidente do governo regional, depois de uma primeira tentativa falhada em julho, quando se apresentou pela primeira vez no parlamento, com a proposta de liderar um executivo minoritário, mas não teve o apoio do VOX.

O VOX exigiu ao PP fazer parte do governo de Múrcia e recusou viabilizar o executivo apenas com um acordo parlamentar.

Na sequência das eleições regionais de 28 de maio, Múrcia era a única comunidade autónoma espanhola ainda sem novo governo decidido.

Por causa da vitória da direita e do avanço da extrema-direita nas eleições municipais e regionais de 28 de maio, o primeiro-ministro espanhol, o socialista Pedro Sánchez, convocou legislativas nacionais antecipadas para 23 de julho, que o PP ganhou, mas sem conseguir uma maioria absoluta sozinho ou com o VOX.

O Rei de Espanha, Felipe VI, indiciou como candidato a primeiro-ministro o líder do PP, Alberto Núñez Feijóo, cuja investidura no cargo será debatida e votada pelo parlamento nacional em 26 e 27 de setembro.

Feijóo admitiu na quinta-feira o fracasso da sua investidura como primeiro-ministro, por falta dos apoios necessários no parlamento.

"Talvez este processo de investidura não me leve à presidência [do Governo], mas vai levar à política nacional e ao Congresso dos Deputados a igualdade dos cidadãos, a dignidade das nossas instituições e as prioridades das famílias. E isto, penso que vale bem a pena", afirmou.

O Partido Socialista (PSOE) tem assegurado que, apesar de ter sido o segundo partido mais votado, tem condições para voltar a formar governo, com os votos dos deputados de uma 'geringonça' de forças de esquerda, extrema-esquerda, regionalistas, nacionalistas e independentistas, que já conseguiu juntar em 17 de agosto, na eleição da presidência do parlamento.

Um dos temas que marcou a pré-campanha e a campanha eleitoral das legislativas foram os acordos do PP com o VOX nas comunidades autónomas e as declarações e perfis de pessoas que o partido de extrema-direita escolheu para presidir aos diversos parlamentos regionais ou para o executivo da Comunidade Valenciana, que são negacionistas das vacinas e das alterações climáticas, ativistas contra o aborto ou que dizem que a violência de género não existe.