Esperteza saloia
Quando, em casa, uma torneira ou um cano começa a derramar água o que fazemos? Esperamos que o furo vá ficando maior ou mandamos logo arranjar, antes que a situação piore? Esperamos que o senhorio, o “vizinho do lado”, o condomínio arranje algo que é nosso, que é da nossa responsabilidade, ou mandamos concertar nós a avaria?
Com certeza que, nas nossas casas, nas nossas empresas, nas nossas associações, todos fazemos o mesmo: aquilo que está estragado é para arranjar antes que piore e não estamos à espera que outros arranjem o que é nosso.
Na Ponta do Sol, a presidente da Câmara da Ponta do Sol, apoiada pelo seu marido, Vítor Freitas (o tal que conseguiu para o PS da Madeira uma das derrotas mais humilhantes da sua história), não quer nada disso: os canos que levam água até à casa das pessoas estão rotos, a água perde-se toda pelo caminho, mas o Governo (que até se ofereceu para colaborar, desde a primeira hora, numa solução) é que tem de pagar.
Ou seja, em mais um ato de esperteza saloia (como já tinha acontecido anteriormente com a estrada dos Anjos), Célia Pessegueiro vem dizer que a culpa de não haver água é do Governo, como se tivesse sido a ARM a deixar que os canos de abastecimento à população se deteriorassem de tal maneira que a água que o Governo coloca não dá para chegar à casa de uma parte significativa da população.
Para Célia Pessegueiro o justo é que o Governo recompense a incúria da sua gestão, o desleixo como que tratou o abastecimento de água à sua população. O justo é que o Governo tire água de outros concelhos que responsavelmente souberam gerir as suas condutas municipais. O justo é que o Governo invista muito mais, per capita, na Ponta do Sol do que noutros concelhos, para compensar erros do próprio concelho.
Não fazer isso, para Célia Pessegueiro (e também para Filipe Sousa) é discriminação, é partidarismo, é tudo e mais alguma coisa. Menos aquilo que deveria ser: um exemplo real de como não se deve gerir uma Câmara e as infraestruturas municipais.
No caso, metaforicamente, a CMPS preferiu tapar as fugas com esparadrapos em vez de consertar. Fez isso durante todos estes anos. Com a água, mas também com as estradas do concelho, com a generalidade das infraestruturas municipais. A estratégia foi sempre a mesma: investir o dinheiro no que desse votos e culpar o Governo do que corresse mal. E a incúria tem sido tanta que o que corre mal é tanto, mas mesmo tanto…
Esta é a verdade, pura, absoluta e simples. O contrário é esperteza saloia, é contorcionismo político.
Ângelo Silva