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Fact Check Madeira

Jardim diz que apoios dos seus governos foram importantes ao funcionamento do Marítimo, será verdade?

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Alberto João Jardim esteve, ontem, no seu habitual espaço de opinião na RTP-Madeira. Na ocasião justificou o seu apoio à candidatura de Carlos André Gomes à presidência do Club Spot Marítimo. O anterior presidente do Governo Regional remeteu para a sua página no Facebook mais explicações. Nesse espaço, diz-se magoado “com declarações injustas, tipo eu (Jardim) ‘nada ter feito pelo Marítimo’”. E garante o contrário, dando vários exemplos, contando-se, entre eles, a “transferência Estádio do Barreiros para o património do Marítimo”. Terá razão Jardim ao dizer que sempre apoiou os clubes e, no caso, o Marítimo?

Vejamos, então, com maior pormenor o que diz Alberto João Jardim no Facebook sobre os apoios.

“Fiquei magoado com declarações injustas, tipo eu ‘nada ter feito pelo Marítimo’.

Pelo que recuso a falsa modéstia, que é uma forma de hipocrisia, e assumo: graças à Autonomia Política que, com o 25 de Abril, o Povo Madeirense soube conquistar e agarrar, os meus Governos estabeleceram regulamentação que permite os apoios financeiros às actividades desportivas dos Clubes.

O que possibilitou salvar os Clubes mais representativos, de uma situação financeira catastrófica, pelo menos duas vezes.

E foram estes apoios e intervenções dos meus Governos que, para além do funcionamento normal e corrente do Clube Sport Marítimo, a Este tornaram possível: Beneficiar o campo da Imaculada Conceição (1979); Arrelvar o campo de futebol (1987); Novas instalações administrativas (1989); Centro Cultural (1992); Mais instalações desportivas (2004); Colégio do Marítimo (2006); Complexo Desportivo do Marítimo (2006); Loja Museu (2013); No último dos meus Governos, transferir o Estádio do Barreiros para o património do Marítimo.”

É comummente aceite e até foi alvo de debate político não apenas na Região, que os governos de Jardim sempre destinaram ao desporto, por via dos clubes, generosos financiamentos. Por isso, concentrámos a nossa análise na última das reivindicações do ex-presidente do Governo Regional, no citado texto do Facebook: “No último dos meus Governos, transferir o Estádio do Barreiros para o património do Marítimo.”

Na reunião de Conselho de Governo de 30 de Abril de 2009, presidida por Jardim, decidiu “a cessão a título gratuito do aludido imóvel [Estádio dos Barreiros] e terrenos anexos”.

Em 9 de Junho do mesmo ano, foi outorgada a escritura de cessação definitiva, a título gratuito e para fins de interesse público dos referidos imóveis, entre a Região, o Clube e a SAD do Marítimo.

Em Outubro de 2015, em artigo de opinião (FN 6/10/2015) Jardim veio recusar ter oferecido o Estádio e explicou. "O meu Governo não ‘deu’ o Estádio dos Barreiros ao Marítimo. Para poupar nas finanças públicas, cumpriu o seu compromisso de tratar igual os dois Clubes na primeira divisão de futebol, tanto quanto aproximadamente possível e na legalidade comprovada.

É incontestável que o Marítimo e o Nacional desenvolvem um Trabalho socialmente notável, nas instalações de que disfrutam.”

Noutros momentos e até na própria resolução, que decidiu a cedência, estes argumentos estiveram sempre presentes.

Juntando estes factos ao conjunto de obras (elencadas por Jardim) e aos apoios anuais concedidos, não exclusivamente ao Marítimo, mas também a este clube, se conclui que, apesar da imprecisão de Jardim ao dizer que a cedência foi no seu último Governo (foi no penúltimo), o sentido da afirmação é verdadeiro.

“Foram estes apoios e intervenções dos meus Governos” que tornaram possível “funcionamento normal e corrente do Clube Sport Marítimo” e um conjunto de infra-estruturas.