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A subtileza do Caos

Pattrick Cosgrave foi “sacudido” da liderança da Web Summit, um ano após Marcelo Rebelo de Sousa quase lhe ter arrancado o braço naquela contundente sacudidela em palco com férrea animosidade, cujo cumprimento é já uma conhecida característica do seu funcionamento institucional.

Foram as expressões públicas do próprio Cosgrave, que o forçaram a abandonar a liderança desta conferência mundial sobre “start-up’s”. O irlandês emitiu opinião sobre o atual conflito Israel/Hamas, não relevando o facto de Israel ser uma “Start-Up Nation”. Só uma maciça dose de ingenuidade, é que as suas afirmações não teriam óbvias e imediatas consequências.

O boicote fez-se sentir, e o “influencer” tecnológico saltou para o apeadeiro. Guterres dias mais tarde, metralhou nas Nações Unidas o único poder de mediação que lhe restava, tentando amaciar o ignóbil ataque terrorista de 7 de outubro, o que ruborizou a inflamação judaica e respaldou o frenesim árabe como piranhas a descarnar a carcaça.

As trincheiras estão bem definidas, num mundo cada vez mais binário. O conflito israelo-árabe é o reflexo dum choque civilizacional com culpas flutuantes num oceano de hipocrisias, quer entre os fiéis de Maomé, quer por exemplo, de um Europa dividida na política externa, apesar da sua génese identitária de matriz judaico-cristã.

A “globalização” desenfreada e a vacuidade tribal não são compatíveis com as profundas camadas identitárias que redesenharam estas geografias humanas embebidas em camadas de ressentimentos e credos intolerantes.

Vicente Jorge Silva apelidou há quase três décadas de “geração rasca” as manifestações estudantis que se rebelavam contra a então ministra da educação. Que diria o madeirense fundador do jornal “Público”, a propósito do ativismo climático que se permite destruir bens alheios e públicos, além de irromperem como chocos, a atirar tinta a governantes em sessões públicas, perante o torpor dos visados, que nem queixa apresentam às autoridades, galvanizando assim a impunidade, e a crescente radicalização desses tolos aprendizes de terroristas?

A tolerância pela diferença é um marco civilizacional das sociedades ocidentais e livres, contudo, cada vez mais se assistem a exacerbadas manifestações, perante a inércia acrítica dos poderes públicos, e da contemporização da anestesiada comunidade, encharcada na degenerescência cultural, social, onde se dilui no desidentificado caldo do relativismo.

A ditadura da estupidificação e a consequente mercantilização da consciência pessoal, atingiu um pivot da televisão nacional. José Alberto Carvalho e Miguel Sousa Tavares haviam comentado o óbvio em prime-time, sobre a pessoa eleita Miss Portugal 2023, que é geneticamente um homem.

O conhecido pivot anulando a sua própria liberdade, recuou e desculpou-se pela sua opinião que havia enfurecido a reinante horda cavernícola. Miguel Sousa Tavares felizmente não cedeu. Na ditadura do Estado Novo ter uma opinião dissonante poderia ser um crime. O que os nossos antepassados jamais pensaram, foi que, numa democracia de meio século, afirmar o óbvio, fosse sequer passível de ser censurado.