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A Guerra Madeira

'Associação da Ucrânia com Amor' pede aos madeirenses que acendam vela à janela pelas vítimas do Holodomor

O Holodomor, ou morte por fome, durante regime soviético de Josef Estalin é considerado uma das maiores campanhas de extermínio do século XX

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Hoje, todos podem homenagear os mortos inocentes acendendo uma vela memorial às 16 horas e colocando-a no parapeito da janela

A comunidade ucraniana em Portugal assinala, este sábado, dia 25 de Novembro, os 90 anos do Holodomor. Na Madeira a 'Associação da Ucrânia com Amor' junta-se às comemorações.

O Holodomor, ou morte por fome, entre 1932 e 1933, é considerado uma das maiores campanhas de extermínio do século XX, frequentemente comparado ao Holocausto, quando o regime soviético de Josef Estaline executou um plano de retaliação aos camponeses ucranianos que recusavam a coletivização de terras e aos quais foram impostas quotas de produtividade, sob pena de ficarem sem comida, ou até sanções a regiões inteiras.

Tradicionalmente, o Holodomor é assinalado todos os anos no último fim-de-semana de Novembro na Ucrânia e pela sua diáspora, sendo cada pessoa convidada a acender uma vela em memória de todos os milhões de ucranianos que morreram de fome.

"Às 16 horas serão acesas as velas memoriais nas janelas das casas ucranianas. Os ucranianos estão gratos pela solidariedade e pedem a todas as pessoas de boa vontade que honrem da mesma forma tanto as vítimas das anteriores tentativas de genocídio como as actuais vítimas da guerra russa", apela Katerina Leacock, representante da 'Associação da Ucrânia com Amor', que apoia os refugiados ucranianos na Região.

Num comunicado remetido este sábado ao DIÁRIO, Katerina traça paralelos entre as campanhas de fome de Estaline, que no século passado dizimaram milhões de pessoas, com a actual invasão russa orquestrada pelo Kremlin.

O Holodomor tornou-se um trauma irreparável para os ucranianos que sobreviveram e para os seus descendentes. É por isso que, após a restauração da independência em 1991, a Ucrânia pede aos Estados democráticos que reconheçam o Holodomor como um genocídio do povo ucraniano, sublinhando ao mesmo tempo que se os crimes da Rússia não forem condenados, então, mais cedo ou mais tarde, a Rússia tentará repeti-los. Uma tentativa assim está a acontecer agora mesmo. Katerina Leacock, 'Associação da Ucrânia com Amor'

A 'Associação da Ucrânia com Amor' realça que "a guerra da Rússia contra a Ucrânia começou em 2014 como vingança pelo desejo do povo ucraniano de aderir à casa comum europeia dos estados democráticos livres, ou seja, de obter um Acordo de Associação com a UE" e que "além dos constantes ataques de drones que Moscovo comprou ao seu aliado, o regime fundamentalista do Irão, e do terror com mísseis e artilharia contra a população civil da Ucrânia, a Rússia tentou usar os alimentos como arma nesta guerra".

"Inicialmente, a Rússia tentou estabelecer um bloqueio de transporte à Ucrânia, que antes da agressão russa era um dos principais fornecedores de cereais baratos para os países pobres da África e da Ásia", recorda a associação citando um relatório da iniciativa jurídica internacional Global Rights Compliance (GRC), publicado pelo The Independent em 16 de Novembro de 2023, que dava conta que "antes da invasão a Rússia planeava um furto dos abastecimentos alimentares, especialmente dos cereais, bem como a sua remoção da Ucrânia".

"O principal objectivo da liderança russa não era só a população desses países, que segundo os planos do Kremlin deveria sofrer de fome, mas também a UE, para onde deveriam se dirigir as próximas ondas de refugiados dessas regiões", reforça a associação (...). Assim, a fome organizada pela Rússia iria tornar-se uma arma contra os estados do 'Sul global', enquanto a crise migratória provocada pela fome iria tornar-se uma arma contra a União Europeia", argumenta Katerina Leacock, na mesma nota.

A responsável recorda ainda "outros actos de genocídio do povo ucraniano por parte da Rússia", nomeadamente "o rapto de crianças ucranianas" que motivou emissão de um mandado de prisão, tanto para o Presidente da Federação Russa, Vladimir Putin, como para a Comissária Maria Lvova-Belova, por parte do Tribunal Penal Internacional das Nações Unidas.

O número exacto de crianças ucranianas raptadas pela Rússia é desconhecido, uma vez que este crime ocorre no território ocupado pelo exército russo, onde observadores internacionais não são permitidos. A primeira-dama da Ucrânia, Olena Zelenska, disse que até Novembro de 2023, o governo conhecia os nomes de mais de 19 mil crianças raptadas, enquanto as organizações internacionais falam sobre a remoção de mais de 300 mil crianças pelos russos da Ucrânia, e a Comissária Presidencial para os Direitos das Crianças na Federação Russa, Maria Lvova-Belova, relatou publicamente a Putin sobre a 'evacuação de 744 mil crianças da Ucrânia para a Rússia' Katerina Leacock, 'Associação da Ucrânia com Amor'

A ofensiva militar lançada a 24 de Fevereiro de 2022 pela Rússia na Ucrânia causou, de acordo com os mais recentes dados da ONU, a pior crise de refugiados na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Só na Madeira sabe-se que já entraram mais de 800 ucranianos desde o início da guerra.

Os ucranianos não têm outra opção senão vencer esta guerra, já que durante centenas de anos a Rússia visa destruir o seu povo e transformar os seus filhos em novos soldados russos, a fim de tradicionalmente irem à guerra contra outros países, europeus e não só. Katerina Leacock, 'Associação da Ucrânia com Amor'