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Portugal é um dos países da UE onde o género mais condiciona acesso à saúde

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As desigualdades entre homens e mulheres em Portugal são mais acentuadas na saúde, alertou hoje o Instituto Europeu para a Igualdade de Género (EIGE), que coloca o país em 23.º lugar entre os 27 da União Europeia.

De acordo com o Índice da Igualdade de Género 2023, divulgado hoje pelo EIGE, Portugal mantém a classificação geral do ano passado, permanecendo em 15.º lugar, com uma pontuação de 67,4 numa escala de 100 pontos, 2,8 pontos abaixo da média europeia, mas 4,6 pontos acima do alcançado em 2022.

"Desde 2010, a pontuação de Portugal aumentou 13,7 pontos, principalmente devido a melhorias nos domínios do tempo (+ 29,1 pontos) e do poder (+ 22,5 pontos)", refere o EIGE, que explica que a avaliação dos países é dividida em seis domínios: trabalho, dinheiro, conhecimento, tempo, poder e saúde.

O índice mostra que o progresso feito pelo país nos últimos três anos "constitui uma das maiores melhorias entre os Estados-Membros neste período", facto que para o EIGE pode ser explicado com melhorias nos domínios do tempo (+20,3 pontos) e do trabalho (+3,1 pontos).

O pior desempenho de Portugal é no domínio da saúde, com o EIGE a salientar que "as desigualdades entre homens e mulheres em Portugal são muito acentuadas" nesta área e que desde 2010 "os progressos estagnaram, resultando numa descida na classificação do 20.º lugar para o 23.º lugar".

"Com uma pontuação [no domínio da saúde] de 85,1 pontos, o país tem maior margem para melhorias no subdomínio do estado de saúde, em que ocupa o 25.º lugar. No subdomínio do acesso à saúde, Portugal obtém 94,6 pontos e ocupa o 24.º lugar entre todos os Estados-Membros da UE", refere o instituto.

Apesar de uma pontuação próxima dos 90 valores, Portugal só fica acima da Lituânia (82,9), Letónia (78,9), Bulgária (77,8) e Roménia (70), abaixo da média europeia (88,5) e longe do primeiro classificado, a Irlanda, com 94,8 pontos.

O EIGE refere também que, nos últimos três anos, "a pontuação de Portugal diminuiu ligeiramente no domínio monetário (-1,1 pontos), fazendo com que o país descesse dois lugares na classificação, para a 21.º posição".

"Esta mudança pode ser atribuída ao aumento das desigualdades de género no subdomínio da situação económica (-2,9 pontos), resultando numa queda na classificação deste subdomínio do 16.º para o 19.º lugar", lê-se no relatório.

Acrescenta, por outro lado, que "no subdomínio dos recursos financeiros, os progressos estagnaram desde 2020, com Portugal a obter 63,3 pontos e a ocupar a 19.ª posição (menos dois lugares do que em 2010)".

O melhor desempenho de Portugal aconteceu no domínio do trabalho, onde teve uma pontuação de 76,5 e ficou em 9.º lugar entre os 27 estados-membros, graças a um crescimento de 3,1 pontos desde 2020.

"O país apresenta o melhor desempenho no subdomínio da participação (90,0 pontos), ocupando o 5.º lugar na UE. Esta é a classificação mais elevada de Portugal em todos os subdomínios, com uma melhoria de dois lugares desde 2020", refere o EIGE.

No global, o EIGE salienta que tem aumentado a convergência entre os 27 em matéria de igualdade de género, e que têm diminuído as disparidades na União Europeia, salientando que "Portugal está a recuperar o atraso em relação aos outros Estados-Membros", depois de ter arrancado com uma pontuação inferior à média europeia.