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NATO realiza exercício sobre armas nucleares na próxima semana

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Foto NATO

A NATO vai realizar um grande exercício nuclear na próxima semana, anunciou hoje o secretário-geral, Jens Stoltenberg, após a Rússia ameaçar revogar o tratado de proibição de testes nucleares.

"Isto é um exercício de preparação que acontece todos os anos em outubro. Este ano vai ser entre Itália, a Croácia e o Mar Mediterrâneo", explicou Jens Stoltenberg, em conferencia de imprensa no quartel-general da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), em Bruxelas.

O exercício "Steadfast Now" decorrerá ao longo da próxima semana e envolve as aeronaves, incluindo caças, com capacidade para transportar ogivas nucleares dos países da NATO que as possuem, nomeadamente os Estados Unidos da América (EUA), França e o Reino Unido, mas não envolve o transporte dos engenhos.

No final de dois dias de reunião dos ministros da Defesa da Aliança Atlântica, com a participação, na quarta-feira, do Presidente ucraniano e hoje do ministro da Defesa israelita, Stoltenberg anunciou que este exercício tem o intuito mostrar a "credibilidade, eficácia e segurança da dissuasão nuclear" da NATO.

"A mensagem é clara: a NATO vai proteger e defender todos os aliados", acrescentou Stoltenberg.

O anúncio de Jens Stoltenberg surgiu depois de o Kremlin anunciar a intenção de rasgar o acordo que proíbe exercícios nucleares.

O Tratado Abrangente para Proibir Testes Nucleares foi assinado em 1996 proibiu todas as explosões nucleares do mundo, apesar de, na realidade, nunca ter sido implementado.

A Rússia ratificou-o na altura, mas os Estados Unidos não, apesar de as duas superpotências o terem assinado.

Contudo, o secretário-geral da NATO disse que não há qualquer intenção de voltar aos testes nucleares, acusando o Presidente russo, Vladimir Putin, de recorrer a essa retórica para instigar o medo e abrandar o apoio da Aliança Atlântica a Kiev: "Não vai ter sucesso, porque mais uma vez é do nosso interesse a segurança da Ucrânia".

O presidente da Duma (câmara baixa), Vyacheslav Volodin, anunciou hoje que o parlamento russo pretende revogar o tratado de proibição de testes nucleares na próxima terça-feira.

Na sessão plenária desta quinta-feira, Volodin informou os deputados da câmara baixa que a Comissão de Assuntos Internacionais já elaborou um projeto de lei para revogar a lei federal que ratificou o Tratado de Proibição Total de Testes Nucleares (CTBT) em 2000.

A mesa da Duma já apoiou a adoção do projeto de lei, adiantou a câmara baixa, em comunicado.

O processo de revogação deverá então começar na terça-feira, numa primeira leitura, enquanto a segunda leitura poderá ter lugar no dia seguinte e a terceira e última leitura em 19 de outubro.

O Presidente russo, Vladimir Putin, levantou a possibilidade de revogar a ratificação do tratado durante o seu discurso no Clube de Debate Internacional Valdai, em 05 de outubro, após o que a mesa da Duma deu instruções à Comissão de Assuntos Internacionais para elaborar o projeto de lei em conjunto com o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo.