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Estados Gerais: a importância da Economia do Mar

Na energia, existe uma oportunidade clara para o aumento da autonomia energética da ilha

O PS-Madeira organizou no passado fim de semana a primeira convenção dos Estados Gerais, naquele que se constituiu, neste ciclo político, como o primeiro momento de partilha de conhecimento entre militantes, especialistas e sociedade civil em geral. O grande objetivo dos Estados Gerais é construir soluções de futuro para a Região e para os madeirenses que se irão consolidar no programa a apresentar para as eleições regionais de 2023.

Temos prioridades bem definidas e uma delas passa por diversificar a nossa economia, criando oportunidades de emprego qualificado e assegurando melhores salários. Neste contexto, a Economia do Mar assume um papel absolutamente fundamental, tendo esta sido uma das temáticas principais do passado sábado, no qual ficou demonstrado que há tanto por fazer. Sabemos que a Conta Satélite do Mar para a RAM refere um peso de 9,4% do emprego e 10,3% no VAB regional, mas que, ao analisarmos com mais detalhe, verificamos que 77,5% do VAB Mar e 75,4% do emprego no Mar correspondem a atividades associadas ao Turismo. Existem claras oportunidades em subsectores que têm de ser aproveitadas, dos quais destaco alguns.

Desde logo no digital, onde é possível criar uma indústria de elevado valor acrescentado, baseada no conhecimento e capaz de reter talento na Região. Existe uma grande necessidade no mercado de tecnologias que consigam colher informação e dados do mar com precisão. Esta informação é crucial para a monitorização, vigilância e gestão do espaço marítimo. A maior parte deste tipo de tecnologias são desenvolvidas e testadas em ambientes costeiros de baixa profundidade, mas para ganharem maturidade têm de ir a grande profundidade, sendo que na Madeira a grande profundidade está muito acessível. Devemos aproveitar a insularidade, o posicionamento geoestratégico e os cabos submarinos que atravessam do arquipélago da Madeira para desenvolver um cluster de robótica e sensorização digital para o oceano, o que permitirá desenvolver profissões em áreas como programação de software, desenvolvimento de hardware, centros de processamento de dados e big data.

Na energia, existe uma oportunidade clara para o aumento da autonomia energética da ilha e para a redução, a prazo, da fatura energética das famílias e empresas, além da eliminação da exposição à volatilidade dos preços da energia. Para tal, devemos considerar a energia eólica offshore flutuante para a produção de eletricidade, onde serão igualmente criados empregos qualificados e altamente especializados, assegurando ao mesmo tempo a descarbonização progressiva do sistema energético e de transportes. Além dos transportes terrestres e marítimos e das atividades turísticas, assume particular relevo a descarbonização das embarcações de pescas, onde é possível conciliar este objetivo com a renovação de frotas, implementando novas tecnologias de propulsão sustentáveis.

O subsector alimentar pode de igual modo evoluir e desenvolver-se, garantindo o aumento da produção de pescado e a criação de valor acrescentado em toda a fileira de produção. Soluções que vão desde a adoção da aquacultura offshore regenerativa em jaulas submersíveis sem impacto visual e que catalisem a regeneração do ecossistema marinho, ao desenvolvimento de atividades de transformação do pescado, de biologia aplicada ou desenvolvimentos de sistemas digitais aplicados ao setor. Uma vez mais, atividades geradoras de emprego, qualificado e bem remunerado.

Existe, portanto, um verdadeiro mar de oportunidades, que tem sido sucessivamente desconsiderado pelo atual Governo Regional, em particular no âmbito do Programa de Recuperação e Resiliência. A Economia do Mar tem de estar obrigatoriamente na agenda política, com dotação de apoios e incentivos adequados, e fazer parte da estratégia de futuro da Região Autónoma da Madeira, uma estratégia que o PS-Madeira propõe implementar para construir uma Madeira Melhor!