Boa Noite

Amadorismos

Manifesta falta de bom senso foi evidente na organização de dois eventos durante o último fim-de-semana

Boa noite!

Há amadorismos que custam caro e o bom nome a quem organiza eventos, a quem paga bilhete e até a quem é convidado.

No último fim-de-semana de todas as festas, as falhas tecnológicas foram evidentes, em pelo menos dois dos eventos com enchentes garantidas, logo, mais expostos ao escrutínio e à crítica.

No 'Meo Sons do Mar', as intermináveis filas para entrar no Parque de Santa Catarina, que até está bem dotado de portas, não só configuram erro de cálculo, como de desrespeito pelos festivaleiros que tendo bilhete comprado foram impedidos de assistir desde o início aos espectáculos programados. Se houve problemas motivados pelo hábito instalado de ignorar recomendações ou pela leitura óptica dos bilhetes, não dava para adiar por meia-hora a primeira actuação? Qual era a pressa?

O festival, que até acabou cedo, teve também uma estranha componente social. Alguns foram literalmente corridos por gente que cumpria ordens superiores, não se sabe a mando de quem, por estar a comer ou a beber depois da última artista da noite actuar. E outros que tentavam despachar carga acumulada encontraram casas de banho fechadas a cadeado.

A 'Festa Branca' no Clube Naval foi uma seca. Houve gente que entrou e saiu da Quinta Calaça sem conseguir beber uma água que fosse. Era impossível matar a sede e a noite estava quente. A única forma de pagamento, tecnologicamente evoluída, representou um retrocesso, por não ser funcional. Os reparos foram permanentes.

Quem organizou o evento achou que a digitalização tudo resolve, mas não testou devidamente a aplicação, única opção de pagamento. E assim, o que era branco, sujou-se.

Compreende-se que não haja dinheiro a circular nos bares, para evitar assaltos e golpadas, mas para quê recorrer a soluções alternativas de carácter duvidoso quando existem sistemas infalíveis como os cartões de crédito e de débito com ‘contactless’, só tardiamente aplicados?

Não fora a chuva, que ajudou a arrefecer ânimos, e algumas distracções, a coisa teria dado para o torto. Não havia necessidade de tanta complicação para quem apenas queria diversão.

De uns e de outros aguardam-se explicações. Mas sobretudo generosas doses de bom senso, desse mesmo que, comprovadamente, faltou no último fim-de-semana festivo.