Novo primeiro-ministro britânico confiante num “acordo melhor”
O novo primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, mostrou-se hoje convicto de que será possível negociar um “novo acordo, um acordo melhor” para o ‘Brexit’, num discurso feito após a indigitação pela rainha Isabel II.
O acordo, disse, “vai maximizar as oportunidades do ‘Brexit’”, ao mesmo tempo que “vai permitir desenvolver uma nova e excitante parceria com o resto da Europa, baseada no livre comércio e no apoio mútuo”.
Numas palavras de homenagem à resiliência e paciência da antecessora Theresa May, criticou os pessimistas, dentro e fora do país, que pensam que, “após três anos de indecisão” o país “se tornou prisioneiro” e que é incapaz de sair da União Europeia.
“Vamos restaurar a confiança na nossa democracia e vamos cumprir as promessas repetidas do Parlamento às pessoas e sair da União Europeia a 31 de Outubro, sem mas nem meio mas”, vincou.
Aos cidadãos europeus que residem no Reino Unido, prometeu “inequivocamente” que terão o direito de viver e trabalhar no país depois do ‘Brexit’, mas, aos parceiros europeus, nomeadamente os irlandeses, disse que recusa a solução para a fronteira terrestre na Irlanda do Norte, que qualificou de “antidemocrática”.
“É essencial que nos preparemos para a possibilidade remota de Bruxelas se recusar a negociar mais, e sermos forçados a sair sem acordo”, admitiu, defendendo a necessidade de preparar todos os sectores económicos para o choque.
“Claro que vai haver dificuldades, embora eu acredite que, com energia e determinação, elas serão muito menos graves do que algumas pessoas previram”, acrescentou, prometendo um pacote de impulso económico para depois do Verão.
Enumerando algumas das medidas que pretende tomar, como reforçar as forças policiais, melhorar os hospitais e investir nos cuidados sociais e na educação, Boris Johnson manifestou o desejo de ser “o primeiro-ministro de todo o Reino Unido”.
“E isso significa unir o nosso país, respondendo finalmente ao apelo do povo esquecido e das vilas deixadas para trás, renovando fisicamente e literalmente os laços que nos unem, para que tenhamos ruas mais seguras e melhor educação e fantásticas novas infra-estruturas rodoviárias e ferroviárias fantásticas, banda larga de fibra”, prometeu.
O líder do partido Conservador, Boris Johnson, foi hoje indigitado primeiro-ministro britânica pela rainha Isabel II, na sequência da demissão formal de Theresa May devido à dificuldade em aplicar o ‘Brexit’.
Boris Johnson, o 14.º primeiro-ministro do reinado de Isabel II, foi empossado numa audiência no palácio de Buckingham.
A chegada ao palácio foi perturbada por manifestantes contra as alterações climáticas, que se atravessaram na estrada para tentar impedir a passagem do carro, e no exterior do palácio estavam activistas em defesa de um novo referendo ao ‘Brexit’, mas a polícia conseguiu evitar distúrbios.
Sucessora de David Cameron, que se demitiu após o referendo que ditou a saída do Reino Unido da União Europeia (UE) em 2016, Theresa May esteve em funções durante três anos, mas em maio anunciou a decisão de renunciar devido à dificuldade em completar o processo do ‘Brexit’.
À saída de Downing Street, May vincou que “a prioridade imediata é completar” a saída da União Europeia “de uma forma que funcione para todo o Reino Unido” e acrescentou que, executado com sucesso, o ‘Brexit’ pode significar “um novo começo” para o país, “uma renovação nacional” que “pode fazer ultrapassar o tempo actual para o brilhante futuro que o povo britânico merece”.