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Madeirense em Caracas dá conta de situação caótica na Venezuela com ameaças e disparos

Foto EPA
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“A situação está caótica. Há meses que é o caos, mas hoje é impossível sair à rua”. O relato é feito por Maria Jose Castro, madeirense natural da Ponta do Pargo que se encontra emigrada na Venezuela há largos anos. Residente em Baruta, perto do local onde se encontra Guiadó, afirma que tem escutado disparos para o ar e ameaças por parte dos colectivos apoiantes de Maduro para que as pessoas não saiam de casa.

Ao DIÁRIO, Maria Jose Castro contou que há já falhas no sinal de internet e que vários canais de televisão não estão disponíveis. “É uma forma de encobrir o que está a acontecer”, diz, acrescentando que a maioria da população não deve ter acesso à internet, até porque “a maioria já nem tem dinheiro para comer”.

Já no canal de televisão estatal multiplicam-se os apelos para que os colectivos (organização comunitária que apoia o governo da Venezuela e o Partido Socialista Unido da Venezuela) saiam à rua armados e para que impeçam que a população se junte a Juan Guaidó.

“Eles não deviam ter feito este golpe hoje, porque há muita gente a trabalhar, que não se pode juntar ao movimento”, lamenta a madeirense, que acredita que poderá ser derramado muito sangue neste golpe.

“Não vão entregar o poder. Vão batalhar até ao final”, explica.

Maria Jose Castro, que tem mantido uma postura muito dura nas redes sociais em relação às políticas de Maduro, afirmar querer juntar-se a esta ‘revolução’, mas afirma ser complicado encontrar forma de chegar a Miraflores sem colocar em risco a sua própria vida. “Os transportes deixaram de circular”, conta.

A madeirense, conhecida como a ‘mulher liberdade’, desafiou em 2017 um tanque militar numa manifestação na Venezuela.