Migrações Bruxelas repete apelo de solidariedade para com migrantes no Mediterrâneo
A Comissão Europeia repetiu hoje o apelo por uma maior solidariedade dos Estados-membros para com os migrantes resgatados no Mar Mediterrâneo há duas semanas, indicando que continua a desenvolver esforços para encontrar uma solução para o seu desembarque.
“O que posso dizer é que estamos a trabalhar ao telefone, tendo encetado intensos contactos com inúmeros Estados-membros, inclusive durante o fim de semana. Continuamos, neste contexto, a desenvolver esforços para encontrar uma solução para um desembarque rápido das pessoas a bordo do ‘Sea Watch 3’ e do ‘Sea-Eye’”, precisou o porta-voz do executivo comunitário.
Margaritis Schinas repetiu quase ‘ipsis verbis’ a mensagem que Mina Andreeva, outra das porta-vozes da Comissão, tinha pronunciado na conferência de imprensa diária da instituição na quinta-feira, inclusive o apelo por uma maior solidariedade dos países da União Europeia para com os migrantes.
“O comissário [das Migrações e Assuntos Internos] Dimitris Avramopoulos continua a instar todos os Estados-membros a contribuírem para o esforço conjunto para desembarcar em segurança aqueles que estão a bordo o mais rapidamente possível. Mais solidariedade por parte dos Estados-membros é necessária”, reforçou.
Segundo Schinas, a situação das duas embarcações demonstra “uma vez mais que uma solução previsível e sustentável para o desembarque e alocação dos migrantes é premente no Mediterrâneo”.
“Temos lutado por uma abordagem holística para as migrações. Esperamos que, com a ajuda da presidência romena, possamos concluir esta importante reforma das políticas migratórias tão rapidamente quanto possível, preferivelmente antes das eleições europeias”, completou.
O porta-voz comunitário disse ainda que Bruxelas acolheu “com agrado” o apelo do Papa Francisco, que no domingo pediu aos líderes europeus para “demonstrarem solidariedade concreta” para com aqueles migrantes.
Nos últimos dias de dezembro, 49 migrantes foram resgatados no Mediterrâneo por navios de duas ONG alemãs e estão bloqueados no mar há duas semanas.
Um dos casos é o navio “Sea Watch 3”, da ONG alemã com o mesmo nome, que resgatou no passado dia 22 de dezembro na rota do Mediterrâneo Central (da Líbia para Itália) um grupo de 32 migrantes.
O outro caso é o navio “Professor Albrecht Penck”, da organização humanitária Sea-Eye, que resgatou outros 17 migrantes no passado dia 29 de dezembro.
Na sexta-feira, a Itália, através do vice-presidente do Governo Luigi Di Maio, ofereceu-se para acolher as mulheres e crianças que se encontram a bordo daquelas embarcações, advertindo, todavia, que “obrigará” a Europa a respeitar o seu repatriamento.
Di Maio, líder do Movimento Cinco Estrelas -- que governa em coligação com a ultra direitista Liga -- pediu a Malta que permita o desembarque dos dois navios de organizações não-governamentais alemãs (ONG).
“Que Malta permita o desembarque imediato de mulheres e crianças e as envie para Itália. Vamos acolhê-las. Estamos preparados uma vez mais para dar, como sempre, uma lição de humanidade a toda a Europa”, referiu o político numa publicação no Facebook.