60 mil trabalhadores petrolíferos vão marchar em apoio a Nicolás Maduro
A Federação Unitária de Trabalhadores Petrolíferos da Venezuela (FUTPV) convocou hoje os 60 mil profissionais filiados a participar, na quinta-feira, numa marcha de apoio ao Presidente do país, Nicolás Maduro, e para condenar as sanções norte-americanas.
Segundo Willis Rangel, membro da Assembleia Constituinte (composta unicamente por simpatizantes do regime), a marcha inicia na sede da empresa estatal Petróleos da Venezuela SA (PDVSA), em La Campiña, e termina no palácio presidencial de Miraflores.
“Apoiamos as decisões anunciadas pelo Presidente Nicolás Maduro, único mandatário reconhecido a nível nacional, e não aceitamos que paguem pela produção do nosso petróleo a qualquer pseudo-presidente que querem impor desde o exterior”, disse Willis Rangel aos jornalistas.
Os trabalhadores petrolíferos pretendem, assim, apoiar as medidas do Governo venezuelano para combater as sanções aplicadas pelos norte-americanos contra a PDVSA e condenar o que dizem ser um “embargo petrolífero” contra a Venezuela.
Os trabalhadores filiados na FUTPV referem que apenas reconhecem Manuel Quevedo como ministro do Petróleo, e Asdrúbal Chávez como diretor da Citgo, a petrolífera venezuelana em território norte-americano.
“Já se tomaram medidas jurídicas perante os tribunais norte-americanos, pelo que esperaremos os resultados. Enquanto isso manter-nos-emos firmes, apoiando o Governo do Presidente Maduro”, frisou.
Na última segunda-feira, o autoproclamado Presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, anunciou que iria assumir o controlo dos ativos do país no exterior, de modo a evitar que Nicolás Maduro “continue a roubar” o dinheiro dos venezuelanos.
“A partir deste momento iniciamos a tomada do controlo progressivo e ordenado dos ativos da nossa República no exterior, para impedir que no seu percurso de saída, e não conformado com o que já roubou à Venezuela, o usurpador e o seu grupo continuem a roubar o dinheiro dos venezuelanos, financiando delitos a nível internacional e usando o dinheiro para torturar o povo, privando-o de alimentos e medicamentos e assassinando quem protesta pelos seus direitos”, referiu Juan Guaidó, num comunicado divulgado na rede social Twitter.
Pouco depois, o senador norte-americano Marco Rúbio anunciou, também através do Twitter, que os Estados Unidos da América “tinham entregue o controlo das contas bancárias do Governo venezuelano e do Banco Central da Venezuela ao Governo legítimo do Presidente interino” Juan Guaidó.
Entretanto, os EUA anunciaram novas sanções contra a empresa petrolífera estatal Petróleos da Venezuela SA e a sua filial em território norte-americano, a Citgo.
A crise política na Venezuela agravou-se em 23 de janeiro, quando o líder da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, se autoproclamou Presidente da República interino e declarou que assumia os poderes executivos de Nicolás Maduro.
Guaidó, 35 anos, contou de imediato com o apoio dos Estados Unidos e prometeu formar um governo de transição e organizar eleições livres.
Nicolás Maduro, 56 anos, chefe de Estado desde 2013, recusou o desafio de Guaidó e denunciou a iniciativa do presidente do parlamento como uma tentativa de golpe de Estado liderada pelos Estados Unidos.
A União Europeia fez um ultimato a Maduro para convocar eleições nos próximos dias, prazo que Espanha, Portugal, França, Alemanha e Reino Unido indicaram ser de oito dias, findo o qual os 28 reconhecem a autoridade de Juan Guaidó e da Assembleia Nacional, maioritariamente da oposição, para liderar o processo eleitoral.
A repressão dos protestos antigovernamentais da última semana provocou 35 mortos, de acordo com várias organizações não-governamentais.
Esta crise política soma-se a uma grave crise económica e social que levou 2,3 milhões de pessoas a fugirem do país desde 2015, segundo dados das Nações Unidas.
Na Venezuela, antiga colónia espanhola, residem cerca de 300.000 portugueses ou lusodescendentes.