A longa estrada da Igreja Católica

Mais do que uma discussão entre crentes e não crentes, entre quem acredita mais ou menos é tempo de a Igreja crescer para subsistir

30 Ago 2018 / 02:00 H.

Cada vez que aparece um novo caso de pedofilia ou de abusos sexuais no seio da Igreja espeta-se um prego na Fé de milhões de crentes e a mensagem perde-se um pouco. E este é um tema delicado que precisa de estar na ordem do dia porque também aqui na minha minha opinião há muito por evoluir e para mudar. Quando falamos no que prende as pessoas nas suas crenças mais profundas e no seu equilíbrio exige a todos os que por cá gravitam uma enorme reflexão mas também tomadas de posição que têm obrigatoriamente que ir muito para além das palavras e de simples justificações perante atitudes injustificáveis e inqualificáveis .

São já casos a mais e muitos por certo terão ficado na obscuridade da vergonha e do medo. Mas muito do que acontece é resultado das regras rígidas e pouco atuais a que se impõem os que se dizem de representantes de Deus na Terra mas também da imagem que alguns continuam a querer fazer perdurar , de que quem faz parte da Ordem é imaculado , acima de qualquer suspeita , impoluto e por isso não passível de cometer erros e atrocidades. Mas o mal começa precisamente por aí. Se sabemos que uma das características transversais a todos os seres humanos como nós é o erro como é que podemos alguma vez achar que existe alguém como nós capaz de representar um Ser Superior sem esses mesmos erros.

Como é que historicamente temos assistido a um rol de situações que demonstram que lá como em tudo o resto existem pessoas boas e más , existe quem faça bem mas também quem faça mal e continuamos a pretender fechar os olhos e achar que está tudo bem, que são apenas casos de excepção , que devemos passar uma esponja sobre o assunto e que isto vai lá como sempre foi, com pedidos de desculpa e com penitência? Mas não vai. E com a capacidade que temos hoje em espalhar a palavra e em fazer uma notícia correr o Mundo em menos de uma hora torna-se cada vez mais difícil “ tapar o Sol com uma peneira”.

Mais do que uma discussão entre crentes e não crentes, entre quem acredita mais ou menos é tempo de a Igreja crescer para subsistir. Tal como na religião Muçulmana parece-me a mim que tanto o Corão como a Bíblia , livros sagrados dessas religiões, são mal interpretados. Não deixa de ser estranho que alguém que defenda a igualdade e a bondade não dê depois dentro do seu seio o exemplo com as mesmas oportunidades a mulheres e a homens , que os trate de forma desigual e que continue a encarar o homem como o único capaz de celebrar uma Missa e trate as mulheres como figuras de segundo plano.

Estes sucessivos casos nojentos de abusos e pedofilia só nos vêm mostrar que existe dentro de nós uma necessidade e um desejo que não é igual em todos. Se uma das maiores mensagens da Bíblia é “crescei e multiplicai-vos” como é que se podem continuar a espartilhar os seus representantes exigindo-lhes uma vida celibatária ? É nessa restrição constante e na castração de vontades e desejos que nascem depois atitudes obscuras e silêncios promíscuos. É longa e sinuosa a estrada que a Igreja tem para percorrer. E repito. Já não vai lá só com palavras por muito que alguns teimem em não querer ver...

José Paulo do Carmo
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