O Amor é Lindo

Se tiver um cão, poderá levá-lo ao restaurante. Este país de legisladores “amigo do cão”, deram esta felicidade canina

14 Fev 2018 / 02:00 H.

A delícia de um qualquer texto donde emana o enamoramento – normalmente, à luz de quem o lê - faz de quem o escreve, um pinga-amor, um bem disposto, alguém que vive e convive bem com o estado terreno e a condição humana de ser um pecador, à luz da apregoada boa moral e dos intitulados bons costumes.

Quis o destino que me saísse na rifa botar caneta neste espaço de opinião – entenda-se espaço de livre opinião - no tão colorido dia 14 de Fevereiro, dia de São Valentim e porque vivemos inundados de expressões de língua inglesa “Saint Valentine’s Day.

Não que os ingleses sejam conhecidos mundialmente como “pinga-amor” mas têm os seus momentos de romantismo, com os contos encantados da realeza ou com os romances que merecem capa nos tablóides, mas também na ficção. Romeu e Julieta de William Shakespeare prende-nos a uma história com um fim frio, mas o mítico agente secreto 007 compensa com a fogosa cena de um bom amasso e um beijo intenso entre 007 e a rapariga protagonista da saga. “Bond! My name is James Bond!” Coisas do cinema!

Diz o nosso amigo “Dr. Google” que “A história do Dia de São Valentim remonta a um obscuro dia de jejum tido em homenagem a São Valentim. “Diz o “Dr. Google” que depois do final da Idade Média - entenda-se depois de tanta boa gente arder na fogueira - quiçá porque não cumpria o jejum - nasceu a relação do São Valentim ao amor e ao romantismo. O facto histórico teve como protagonista o bispo Valentim o qual manteve a prática de celebrar casamentos, contra a ordem do Imperador de proibição do casamento durante as guerras, para manter os soldados em melhor condição.

Nada mais adequado para dizer que a malta tratou de alterar o rumo da História. Jejum?! Sem leviandades mas com a sátira inerente ao acto de jejuar, nem a Santa Madre Igreja ... Ainda assim, não deixe de reflectir porque hoje é quarta-feira de cinzas, o início da Quaresma.

14 de fevereiro, para os crentes, será um dia igual a tantos outros dias do ano, na prática diária dos apaixonados ou dos enamorados, comungando o respeito pelas opções de vida de cada cidadão e de cada cidadã. Isso é bonito.

O que menos se quer ou o que menos se precisa, são corações vazios, cujas angústias diárias têm reflexo em dias cinzentos, dias sem sabor, dias onde a prioridade é pôr outros a “arder na fogueira”, só porque sim! Isso é tão triste!

14 de fevereiro, para os não crentes, poderá ser um dia para uma atenção diferente, coisa que deveria fazer parte do dia a dia, mas não faz. Para tantos/as as tarefas profissionais, e se for o caso as responsabilidades decorrentes da maternidade e da paternidade, cada vez mais condensadas no tempo porque lamentavelmente vivemos num país de “mrd” no que respeita à tão badalada e apregoada conciliação vida profissional/vida familiar, não permitem!

Mas, se tiver um cão, poderá levá-lo ao restaurante. Este país de legisladores “amigo do cão”, deram esta felicidade canina. O animal poderá acompanhar o dono, o qual poderá estar sem acompanhante porque, por hipótese, o trabalho não permitiu desenvolver o espírito namoradeiro. Cautela! Se o dono for fumador, fica na rua a puxar fumo. O cão, fica “de sala”!

Rafaela Fernandes