Venezuela condena sanções dos EUA ao segundo homem do chavismo

20 Mai 2018 / 01:00 H.

A Venezuela condenou hoje a decisão dos Estados Unidos de incluir, na sexta-feira, o vice-presidente do Partido Socialista Unido da Venezuela, Diosdado Cabello, e outros três venezuelanos na lista de funcionários de Caracas punidos por alegada corrupção.

“A Venezuela condena energicamente as medidas coercivas unilaterais que o regime norte-americano anunciou contra altos funcionários do Estado venezuelano, com o único propósito de perturbar o processo eleitoral que se realizará em poucas horas, de maneira cívica e em paz, para eleger o Presidente da República e os ‘legislativos’ regionais e locais”, explica um comunicado.

O documento, divulgado pelo ministério venezuelano de Relações Exteriores, explica que se tratam de medidas unilaterais, enquadradas numa sistemática campanha de agressões do regime do Presidente Donald Trump contra a Venezuela e carecem de bases legais.

“Constituem uma flagrante violação da Carta das Nações Unidas, dos princípios básicos que regem as relações civilizadas entre Estados soberanos e refletem o nível de desesperação reinante nas elites dominantes do decadente poder imperial perante a vontade do bravo povo venezuelano de construir o seu futuro de maneira livre e sem ingerência estrangeira, no exercício pleno do direito inalienável à autodeterminação”, explica.

No comunicado, a Venezuela acusa “o regime norte-americano” de “tentar sabotar” as eleições e “atentar contra a democracia venezuelana e contra a paz e a estabilidade” do país.

“A Venezuela denuncia, da maneira mais contundente e categoria, perante a comunidade internacional, este novo ataque da parte do regime supremacista, racista e belicista dos EUA, contra a pátria de Bolívar (simón, político venezuelano que lutou pela independência de vários povos da América Latina), no seu afã fracassado de subjugar o glorioso povo venezuelano e procurar, com ameaças, subordinar-nos aos seus desígnios coloniais inaceitáveis”, prossegue.

O comunicado conclui reiterando que “não será em Washington que se decida o destino dos venezuelanos”.

“Somos um povo livre e independente que condena as agressões de qualquer ordem, impulsadas por outro Estado, quando em jogo está a dignidade e o direito soberanos do povo venezuelano para decidir o seu destino”, conclui.

O Departamento do Tesouro dos EUA adicionou, na sexta-feira, o vice-presidente do Partido Socialista Unido da Venezuela, Diosdado Cabello, na lista de funcionários do Governo venezuelano sancionados pelos Estados Unidos, por alegada corrupção.

As sanções vão ser aplicadas pelo Departamento de Controlo de Ativos Estrangeiros (Ofac) e abrangem ainda o irmão e a mulher daquele que é tido como o segundo homem mais forte do chavismo, José David Cabello Rondón e Marleny Contreras, respetivamente.

Os sancionados são suspeitos de serem “figuras-chave numa rede de corrupção” liderada por Diosdado Cabello, que teria designado o empresário Rafael Alfredo Sarria Diaz como “testa-de-ferro”.

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