Ryanair ameaça retaliar em caso de greve e suscita indignação em Itália

13 Dez 2017 / 16:57 H.

A companhia aérea irlandesa Ryanair ameaçou os seus funcionários que façam greve em Itália com retaliações, suscitando hoje a cólera do Governo italiano e dos sindicatos, que mantêm a paralisação para 15 de dezembro.

“É indigno. Não é o meu domínio de competência, mas penso que é preciso intervir. Não podemos estar no mercado e beneficiar apenas das vantagens sem respeitar as regras”, afirmou o ministro do Desenvolvimento Económico, Carlo Calenda, aos jornalistas.

Os pilotos e assistentes de voo da Ryanair anunciaram uma greve de quatro horas para sexta-feira.

O protesto deve-se à recusa da administração em abrir negociações sobre os contratos de trabalho com os funcionários em Itália, indicou a Associação Nacional de Pilotos de Aviação Civil.

O sindicato do setor reclama “a obtenção de um contrato coletivo único” para todos os pilotos e pessoal de bordo que operam a partir de Itália.

Depois de ter sido anunciada a paralisação, a Ryanair enviou na terça-feira uma carta ao pessoal ameaçando retaliar.

A participação na greve “pode levar à perda de futuros aumentos salariais [...], de transferências (que tenham sido pedidas) ou promoções”, indica a carta assinada pelo responsável pelo pessoal, Eddie Wilson, e divulgada pelo jornal La Repubblica.

A carta “confirma mais uma vez [...] a arrogância e a ausência de escrúpulos com que a companhia irlandesa continua a agir em relação ao empregados”, acusou Emiliano Fiorentino, secretário-geral do sindicato Fit-Cisl.

“A única carta que esperávamos [...] era de desculpas pela má gestão de pessoal e com boas propostas para o futuro, num clima de maior respeito pelos trabalhadores”, acrescentou, confirmando as quatro horas de greve de sexta-feira.

“A falta de respeito da Ryanair em relação os funcionários [...] ultrapassa todos os limites”, considerou o secretário-geral do sindicato Uiltrasporti, Claudio Tarlazzi, pedindo aos ministérios da área que se envolvam neste caso, para que sejam encontradas rapidamente soluções.

Em trinta anos de existência, a Ryanair nunca teve de enfrentar uma greve de pilotos, mas os sintomas de mal-estar na companhia já se fizeram sentir no início do outono, quando foram cancelados milhares de voos.

A empresa justificou estes cancelamentos com problemas no planeamento de férias, mas vários pilotos indicaram à AFP que, após o agravamento das relações com a administração, muitos profissionais saíram para outras companhias.

Na terça-feira, o sindicato irlandês Impact entregou um pré-aviso de greve de um dia para 20 de dezembro, enquanto os pilotos alemães indicaram que também podem juntar-se a este movimento.

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