Observatório denuncia massacre em prisão de Amazonas, na Venezuela

22 Nov 2017 / 08:52 H.

Uma organização não-governamental venezuelana acusou as forças de segurança da Venezuela de perpetrarem “um massacre” em agosto passado, na sequência de um motim numa prisão a sudoeste de Caracas, que matou 39 reclusos.

No relatório “Nem esquecimento, nem impunidade, massacre com premeditação e deslealdade”, sobre o assalto das forças de segurança venezuelanas ao Centro de Detenção Judicial Preventivo do estado de Amazonas, o Observatório Venezuelano de Prisões (OPV) sublinhou, na terça-feira, os abusos e violações dos direitos humanos cometidos pelas forças de segurança do país.

“As forças policiais e militares atuaram com uso excessivo da força. Além de utilizar armas de guerra de diferente calibre, granadas e bombas lacrimogéneas, dispararam a partir de um helicóptero e usaram um veículo blindado Guarda Nacional Bolivariana (GNB, polícia militar)”, indicou o relatório da ONG, apresentado em conferência de imprensa.

O OVP afirmou que a intervenção das forças de segurança “não teve como princípio preservar a vida, pelo contrário, a operação foi planeada e executada com desprezo pela vida dos privados de liberdade”. “A intenção foi causar a morte dos reclusos”, sublinhou.

“É certo que os detidos usaram armas contra as forças de segurança”, mas “a resposta foi desproporcionada e não existe justificação” para a atuação das forças venezuelanas, indicou.

Os detidos tinham “sete pistolas, uma espingarda e duas granadas”, uma responsabilidade do Estado que “por omissão permitiu que entrassem [na prisão] para serem usadas contra as forças de segurança”.

“Não houve tentativas para esgotar outras possibilidades distintas da força”, explicou o OPV, acrescentando que os detidos foram alvejados “a partir de um helicóptero”, tal como visitantes desarmados do centro.

“O assalto foi orientado para causar um elevado número de mortos”, denunciou o OVP.

Alguns detidos foram despidos e “pelo simples facto de terem tatuagens no corpo (...) sofreram torturas antes de ser assassinados”, acrescentou. Outros foram feridos e atirados vivos do terraço da prisão, morrendo na sequência da queda, de acordo com o relatório.

A 16 de agosto passado, o Ministério Público da Venezuela informou que um motim no Centro de Detenção Judicial Preventiva de Amazonas, próximo da fronteira venezuelana com o Brasil e a Colômbia, causou 39 mortos. Pelo menos 15 elementos das forças de segurança ficaram feridos.

O ministro do Interior venezuelano, Néstor Reverol, afirmou na altura que a polícia militar teve que entrar no espaço para conter a violência, já que o centro contava apenas com três guardas prisionais.

Outras Notícias