Empresários acusam o Governo venezuelano de aumentar salário sem consultar patrões e trabalhadores

02 Jan 2018 / 22:04 H.

A Federação de Câmaras de Comércio da Venezuela (Fedecâmaras) acusou hoje o Governo de aumentar o salário mínimo dos venezuelanos sem consultar os patrões e os trabalhadores.

“Estão a ser violados acordos internacionais que o país assinou com a Organização Internacional do Trabalho (OIT). Todos os ajustes ao salário mínimo têm que ser consultados, em diálogo social, tanto com os trabalhadores como com os patrões”, disse o presidente da Fedecâmaras.

Segundo Carlos Larrazábal, o Governo venezuelano cometeu um erro ao tentar corrigir as consequências da hiperinflação no país, sem atacar as causas que a originam.

A posição da Fedecâmaras tem lugar depois de o Presidente da Venezuela anunciar um aumento de 40% do salário mínimo dos trabalhadores, naquele que foi o sexto anúncio em 12 meses.

Segundo os empresários, o aumento do salário ocasiona mais inflação e para que isso não aconteça deve ser acompanhado por medidas que solucionem a cris económica, tomdas em conhunto entre empresas e empregados.

Por outro lado, Maria Carolina Uzcátegui, presidente do Conselho Nacional de Comércio (Consecomércio), considerou que o aumento decretado pelo chefe de Estado não tem relação com a realidade do país.

“Um aumento de salário implica mais inflação, mais problemas, mais falta de abastecimento, mais complicações para exercer funções, regulamente”, disse aos jornalistas.

Segundo o Consecomércio, o aumento salarial “dissolve-se na estrutura de custos de qualquer empresa” tendo como consequência “verdadeiros custos” e uma “hiperinflação galopante”.

A 31 de dezembro passado, o Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou um novo aumento, o segundo em menos de 60 dias, de 40% do salário mínimo e das pensões dos venezuelanos, a partir de 01 de janeiro de 2018.

O anúncio foi feito numa transmissão pela televisão estatal venezuelana desde o palácio presidencial de Miraflores, durante a qual precisou que o subsídio de alimentação passa de 30 para o equivalente a 60 unidades tributárias.

O aumento decretado eleva o salário mínimo dos venezuelanos de 177.507 para 248.510 bolívares (de 13,50 para 19,00 euros à taxa oficial Dicom).

Por outro lado, o subsídio de alimentação passa de 279.000 bolívares para 549.000 bolívares, para um salário integral total (incluindo os subsídios) de 797.510 (60,65 euros).

Os reformados, além das pensões, vão beneficiar ainda de um “bónus de guerra económica” pelo valor de 99.404 bolívares (7,56 euros), recebendo em total 347.914 bolívares mensais (26,46 euros).

Nos últimos 12 meses, o Presidente da Venezuela aumentou seis vezes o salário mínimo dos venezuelanos, a primeira das quais em janeiro (50%), seguindo-se maio (60%), julho (50%), setembro (40%) e a 01 de novembro (30%).

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