Deputados norte-americanos propõem activistas de Hong Kong para Nobel da Paz

01 Fev 2018 / 16:40 H.

Doze deputados dos Estados Unidos propuseram hoje a nomeação dos líderes da ‘Revolução dos guarda-chuvas’, um movimento popular que defendeu reformas democráticas em Hong Kong, como candidatos ao Prémio Nobel da Paz, a atribuir em outubro.

De acordo com uma carta enviada ao comité Nobel, os 12 republicanos e democratas acreditam que Joshua Wong, Nathan Law e Alex Chow, que lideraram o movimento, devem ser honrados “pelos seus esforços pacíficos para implementar reformas políticas e proteger a autodeterminação de Hong Kong”.

De acordo com a carta citada pela agência de notícias francesa AFP, “estes três homens, e toda a ‘Revolução dos guarda-chuvas’ representam as aspirações pacíficas do povo de Hong Kong, que querem que a sua autonomia e modo de vida sejam protegidos e que as suas aspirações democráticas sejam realizadas”.

O território passou, em 2014, pela sua crise política mais séria desde o regresso à administração chinesa, depois de 155 anos de domínio britânico.

Nessa altura, dezenas de milhares de manifestantes marcaram presença em todos os bairros da cidade durante mais de dois meses, exigindo um verdadeiro sufrágio universal para a escolha do chefe executivo local, em vez de ser nomeado por um grupo controlado pela China. Mas Pequim não recuou.

Em agosto, os três líderes do “movimento dos guarda-chuvas” foram condenados pelo seu papel numa manifestação considerada ilegal, a 26 de setembro de 2014, numa decisão judicial que foi interpretada como um novo golpe contra militantes de reformas políticas na antiga colónia britânica.

Depois desta sentença, o Ministério Público pediu um agravamento das penas decididas em primeira instância, o que foi entendido como uma ingerência crescente de Pequim nas questões internas de Hong Kong, em violação do princípio “Um país, dois sistemas”, definido para a transferência da soberania do Reino Unido para a China, em 1997.

Os três foram libertados sob caução para aguardar a decisão do Tribunal de recurso final, a mais alta jurisdição de Hong Kong, um recurso que apresentaram como um teste à independência da justiça da Região Administrativa Especial chinesa.

Nos termos do acordo sino-britânico de transferência da soberania, Hong Kong goza de liberdades desconhecidas na China continental, em teoria até 2047.

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