Movimento de clubes G-15 vai apresentar à Liga oito medidas “para melhorar futebol português”

29 Nov 2017 / 22:53 H.

O movimento de clubes da I Liga futebol, apelidado de G-15, por não incluir FC Porto, Sporting e Benfica, apresentou hoje oito propostas para a “melhoria do futebol português” e que irá submeter à Liga de Clubes.

O movimento esteve hoje reunido num hotel de Vila do Conde, e, tal como aconteceu na sessão da semana passada, no Porto, voltou a não ter a presença de representantes do Vitória de Guimarães, Vitória de Setúbal, Portimonense e Moreirense

Na lista de propostas, aprovadas por consenso entre os presentes, surge à cabeça a recomendação de “restruturação do modelo de governação da Liga [de clubes]”, a adopção de um “novo regime de cedências temporárias de jogadores entre clubes da I Liga” e a “alteração das regras do sorteio condicionado do calendário de jogos”.

Os clubes pretendem, ainda, a “alteração ao critério de pagamento da taxa de transmissão televisiva, com isenção dos clubes da II Liga”, e, também, “a criação de um fundo de solidariedade para os clubes que descem à II Liga”.

No que diz respeito à arbitragem, a lista recomendações do G15, visa apenas o VAR [Vídeo Árbitro], com o pedido de “uniformização do número de câmaras de televisão para efeitos de VAR” e também a “elaboração de recomendação à FPF e Liga a propósito do VAR e sua operacionalização”.

O movimento do G15 acordou, igualmente, “um pacto de não-agressão entre si” e convidou os restantes clubes a adoptarem a mesma conduta, embora propondo “uma revisão do quadro de infracções a dirigentes e a agentes desportivos”, quando tal não acontecer.

A lista de recomendações foi lida por Rui Pedro Soares, presidente da SAD do Belenenses, que vincou que “será aberto um espaço de diálogo com os clubes da II Liga, tendo em vista o conhecimento das suas preocupações e necessidades”.

O dirigente do clube do Restelo confirmou que todas estas propostas “serão apresentadas à Liga Portuguesa de Futebol Profissional, a quem será pedida a convocação e realização de uma Assembleia Geral extraordinárias até final de dezembro deste ano”.

Sobre a repetida ausência dos quatro clubes nesta segunda reunião formal do movimento, Rui Pedro Soares disse que a mesma “foi justificada”, enquanto Carlos Pereira, presidente do Marítimo, assegurou que, apesar disso, há uma sintonia de ideias.

“Os clubes que não estão presentes, excepto o Vitória de Setúbal, fizeram questão de delegar a sua representação nas sociedades aqui presentes, dizendo que estão em sintonia com o modelo e as recomendações para esta reestruturação”, afirmou o dirigente madeirense, que foi, também, um dos porta-voz do grupo.

Carlos Pereira explicou porque voltaram a não ser convidados FC Porto, Sporting e Benfica para esta reunião, dizendo que “os interesses dos três grandes são diferentes dos interesses e do modelo que este grupo de clubes, que tem sido menos favorecido, defende para remodelação do futebol português”.

Ainda sobre a exclusão dos três ‘grandes’ deste movimento, Rui Pedro Soares retomou a palavra para dizer que “nos últimos anos os três clubes ditos grande reuniram sistematicamente, sozinhos, em defesa dos seus interesses e do futebol português”.

“Nesta fase estão a trabalhar estes 15 clubes sobre preocupações dos 15. Não somos contra ninguém, mas sim a favor do futebol português. Vamos dar voz às preocupações comuns de clubes da I Liga e estamos convictos que este grupo vai transformar o futebol português e que este movimento é imparável”, disse o presidente do Belenenses.

Esta ideia foi corroborada por Paulo Menezes, presidente do Paços de Ferreira, outro dos porta-vozes dos clubes na reunião de ontem.

“Fomos excluídos de um grupo que foi mandatado para constituir uma direcção da Liga, há não muito tempo, mas nem por isso nos sentimos menores”, disse o líder do emblema pacense.

Paulo Menezes vincou ainda o celebrar um pacto de não agressão entre os clubes que integram este movimento, mostrando-se esperançado que contagie as restantes sociedades desportivas.

“Temos um pacto de não agressão, porque achamos que não devemos ultrapassar a linha da falta de respeito e elevação no mundo desporto. Seria uma hipocrisia negar que alguns a têm ultrapassado, não interessa por quem, mas o importante é terminar com isso, nem que seja preciso recorrer à sanção disciplinar dos regulamentos”, vincou o presidente do Paços de Ferreira.

Sobre as questões da arbitragem pouco foi referido, além das questões do VAR, mencionadas na lista de oito propostas.

“Não estamos preocupados com a mudança da arbitragem de organismo, o que queremos é que funcione na perfeição, e continuaremos a dar contributos para ser melhorada”, vincou Carlos Pereira, presidente do Marítimo.

O dirigente madeirense revelou que estas propostas serão entregues à Liga de Clubes durante a próxima semana, de forma a ser convocada a Assembleia Geral extraordinária, para uma ratificação que deve acontecer por maioria, pois é subscrita, por, pelo menos, 14 clubes da I Liga.