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Escola para aprender e família para educar?

O início do ano letivo leva-me sempre a pensar na sobrecarga do ensino, essencialmente quando falamos dos primeiros seis anos do percurso escolar. Ainda que existam escolas e professores com metodologias mais adequadas, os planos/programas curriculares encontram-se cada vez mais desajustados às necessidades das crianças e das suas famílias.

O tempo da escola que deveria ser atualmente um tempo de prazer, estimulante e adaptado ao desenvolvimento das crianças e jovens tornou-se, na generalidade, um tempo pouco estimulante, no que se refere à aprendizagem, e uma sobrecarga nas rotinas familiares.

A ideia de que tudo o que é “sério” tem de ter na base sacrifício é um erro que no ensino em Portugal não evoluiu.

Há muitos exemplos de uma prática educativa construtiva, modelos que combinam a aprendizagem de conteúdos com aprendizagem de vida, num ambiento sereno que conjuga a responsabilidade e o prazer de aprender, crescer em comunidade, desenvolvendo competências de vida essenciais para o futuro da vida adulta.

Observa-se, cada vez com mais frequência, jovens adultos à procura do primeiro emprego, com currículos universitários extraordinários, notas exemplares, e que ao logo das entrevistas, apresentam défices evidentes, fundamentais para o início de uma carreira profissional. Faltam competências básicas ao nível do desenvolvimento pessoal, que não foram estimuladas ao longo do processo educativo. É habitual que nem eles nem as suas famílias entendam como as escolhas recaem sobre alunos médios que, por opção pessoal ou mesmo familiar, optaram por investir menos nos resultados escolares esperados, ganhando tempo para outras áreas da vida. É uma questão de maturidade e aquisição de competências que infelizmente não surgem nos currículos educativos.

Por mais óbvio e natural que tudo isto pareça, a ideia de que a escola é para aprender e a família para educar é uma tentativa de desresponsabilizar a escola do essencial e passar para a família responsabilidades acrescidas. São exemplo, os trabalhos de casa, as observações continuadas no caderno do aluno, assim como a avaliação final de período letivo, onde raramente surgem os aspetos positivos das crianças avaliadas. O foco é o máximo, a perfeição, o oposto do real.

As crianças iniciam o ano letivo com espírito de sacrifício, os pais deixam de ter tempo para estar com os filhos pela obrigação de serem orientados a privilegiar a família como a continuidade da escola. O tempo da família assim como o precioso tempo do nada desaparece.

Quando já não houver professores suficientes para dar continuidade a este sistema, provavelmente a mudança vai ser pensada. Para já vamos continuar assim.