EUA denunciam "escalada perigosa e inexplicável" da Rússia
Os Estados Unidos denunciaram hoje uma "escalada perigosa e inexplicável" da Rússia na Ucrânia devido ao lançamento do míssil balístico Oreshnik, de última geração, contra uma área ucraniana próxima à fronteira com a Polónia na semana passada.
"A Rússia lançou mais ataques contra a Ucrânia, incluindo o lançamento do míssil balístico com capacidade nuclear Oreshnik, contra uma área da Ucrânia próxima à fronteira com a Polónia e a NATO. Isso constitui mais uma escalada perigosa e inexplicável desta guerra, mesmo enquanto os EUA trabalham urgentemente com Kiev, com outros parceiros e com Moscovo para pôr fim ao conflito", afirmou a diplomata norte-americana Tammy Bruce.
A denúncia foi feita numa reunião do Conselho de Segurança da ONU sobre a Ucrânia, com Tammy Bruce a acrescentar que a ação da Rússia arrisca "expandir e intensificar a guerra", prejudicando as negociações em curso.
"Condenamos os ataques contínuos e cada vez mais intensos da Rússia contra as instalações energéticas e outras infraestruturas civis da Ucrânia. Esses ataques zombam com a causa da paz", acusou ainda a representante adjunta dos Estados Unidos junto às Nações Unidas.
Mantendo o tom critico, a diplomata defendeu que a "Rússia, a Ucrânia e a Europa devem procurar a paz seriamente e pôr fim a esse pesadelo".
Independentemente da situação no terreno, Tammy Bruce destacou que, "graças à liderança do Presidente norte-americano, Donald Trump," um acordo está agora mais perto de ser alcançado "do que em qualquer outro momento desde o início da guerra".
Novos ataques russos na noite de quinta para sexta-feira privaram de aquecimento metade dos edifícios residenciais de Kiev, levando o presidente da câmara da capital ucraniana a apelar à população para que saísse temporariamente da cidade.
Nestes bombardeamentos foi utilizado, pela segunda vez desde o início da guerra em fevereiro de 2022, o míssil balístico russo Orechnik, de médio alcance e que não transportava ogiva nuclear.
Referindo-se ao ataque perto da fronteira polaca com recurso ao míssil Orechnik, o embaixador britânico James Kariuki considerou-o perigoso e uma ameaça à segurança regional e internacional, sublinhando que representa "um sério risco de escalada".
"A Ucrânia sobreviverá a este novo ataque, assim como a muitos outros antes desse. E se o Presidente [russo, Vladimir] Putin pensa que essa violência desencorajará os aliados da Ucrânia, ele está enganado", insistiu.
O Ministério da Defesa russo afirmou hoje que seu míssil Orechnik tinha como alvo uma fábrica de aviões em Lviv (oeste).
Muitos membros do Conselho de Segurança também condenaram os ataques massivos da Rússia no final da semana passada, que deixaram milhares de pessoas sem aquecimento na capital ucraniana.
A embaixadora da Letónia, Sanita Pavluta-Deslandes, denunciou os ataques "bárbaros" em pleno inverno rigoroso.
"É importante notar uma tendência preocupante: quanto mais nos aproximamos da paz e da justiça, mais descarados se tornam os ataques e as mentiras da Rússia", acrescentou, acusando Moscovo de querer "testar os limites da resolução internacional".
Na mesma reunião do Conselho de Segurança, a ONU denunciou que 2025 foi o ano mais letal para os civis ucranianos - 2.514 mortes - desde 2022, ano em que a Rússia iniciou a invasão em larga escala da Ucrânia.
A ONU denunciou ainda "um padrão bem estabelecido e profundamente preocupante" da parte da Rússia, que tem intensificado os ataques contra a Ucrânia quando as condições meteorológicas se agravam e a necessidade de aquecimento da população se torna mais urgente.