Moção para retirada de confiança a Joacine já não vai a votos

Lisboa /
19 Jan 2020 / 00:17 H.

A moção que propõe a retirada de confiança do Livre à deputada Joacine Katar Moreira já não será votada no domingo, no segundo dia do IX congresso do partido, disse hoje um dos subscritores do texto.

Os subscritores da moção pediam à única deputada do partido para renunciar ao mandato e, caso tal não acontecesse, que lhe fosse retirada a confiança política.

Bruno Machado, um dos cinco subscritores da moção “Recuperar o Livre, resgatar a política”, anunciou que a iniciativa em causa vai ser retirada, por “não fazer sentido” votá-la, após o congresso ter decidido adiar a decisão sobre a retirada da confiança política à deputada e tê-la remetido para os novos órgãos do partido que serão eleitos no domingo.

A decisão era entre a situação ser resolvida hoje ou o processo ser remetido para os novos órgãos que serão eleitos por este congresso.

Depois de uma votação para decidir se poderiam votar membros e apoiantes, 50 membros do congresso votaram a favor da primeira opção, e 52 optaram pela segunda.

“A hipótese A [retirar confiança política hoje] com 50 votos, e a hipótese B [adiar a decisão] ficou com 52 votos”, anunciou Ana Natário, presidente da mesa do congresso.

A deputada Joacine Katar Moreira, o fundador do Livre Rui Tavares e o membro do Conselho de Jurisdição, Ricardo Sá Fernandes, votaram a favor da proposta vencedora.

O anúncio relativo ao adiamento da votação da moção foi feito durante a apresentação das declarações dos candidatos para a Assembleia do partido, que assumiram posicionamentos diferentes, com apoiantes de Joacine Katar Morerira e defensores da retirada de confiança política à deputada.

A tarde foi preenchida com estas apresentações, que duraram aproximadamente uma hora e meia.

Teresa Pinto foi uma das candidatas que revelou ter apoiado Joacine Katar Moreira nas primárias e nas eleições legislativas de 2019 mas acrescentou que votou a favor da retirada de confiança política na deputada.

Rodrigo Brito, também candidato à Assembleia, assumiu a quebra de confiança política e disse ser “ingénuo” pensar que as relações entre a deputada e o partido possam ser recuperadas, acreditando que Joacine Katar Moreira já os “abandonou”.

Houve ainda quem sugerisse a resolução desta crise política como primeiro passo a tomar pela nova Assembleia e foi novamente levantada a questão da organização horizontal do Livre.

Outros dos candidatos ao órgão máximo entre congressos, João Caseiro, pediu uma melhoria da “comunicação externa do partido”, para permitir ao Livre chegar mais e melhor aos portugueses.

“Temos de usar com regularidade as redes sociais do partido”, defendeu, propondo que seja criada uma “estratégia de comunicação desenhada ao pormenor”.

Por seu turno, Patrícia Robalo notou que tem sido “feito o máximo para o Livre não ficar aprisionado no presente problema político”, mas defendeu que “o órgão máximo entre congressos tem de fazer mais e melhor”.

Com esta polémica em torno da deputada única, a Assembleia do Livre “mostrou vulnerabilidades mas também o seu poder político”, sendo agora necessário fazer um melhor planeamento e ter uma “noção clara sobre tempos políticos”, afirmou.

Durante o tempo dedicado à apresentação dos candidatos, e com Joacine Katar Moreira na primeira fila da plateia, a presidente da mesa do congresso subiu ao púlpito na condição de candidata para advogar que este problema “tem que ser resolvido, tem que ser concluído”.

“No meu mandato eu fiz tudo o que estava ao meu alcance para que houvesse consenso e aproximação, eu tenho a minha consciência tranquila nesse aspeto”, vincou.