Governar com ética

Será que de facto há algum interesse em produzir produtos que prestigiem a nossa Região?

19 Jun 2019 / 02:00 H.

O bom governante tem que saber distinguir muita coisa, começando por saber que governa todos os cidadãos e não apenas aqueles que votaram no seu partido. Todos têm os mesmos direitos e os mesmos deveres, assim como o tratamento igual independentemente da cor política de quem governa e de quem vota.

As oportunidades devem ser dadas a todos e por igual. Quando se trata de uma Região ou de um país, nada deve ser confundido.

Isto vem a propósito de histórias que se repetem há mais de quarenta anos pelos governantes da nossa terra e neste caso concreto refiro-me a dois deles e bem recentes. Realizou-se um concurso internacional de espumantes em que concorreram espumantes de sete países, apesar de a maioria serem produzidos em Portugal. Um desses espumantes, precisamente o único produzido na Região Autónoma da Madeira, concorreu o ano passado e concorreu novamente este ano. Surpreendentemente nesses dois anos ganhou duas medalhas de Ouro, tendo sido mesmo o único que concorreu os dois anos e que ganhou as duas medalhas de Ouro. No passado dia primeiro de Junho do corrente ano realizou-se num hotel em Lisboa a atribuição dos prémios e prova aberta ao público. Não sabíamos o resultado, mas devido ao facto de termos ganho uma medalha de ouro no ano anterior, arriscamos a marcar presença com a esperança de uma nova medalha de Ouro e, assim, aconteceu.

Ficamos numa mesa em que também estava o nosso distribuidor de Lisboa e logo cedo as centenas ou mesmo milhares de pessoas que marcaram presença neste evento, “caíram-nos em cima”, no bom sentido da palavra. Todos queriam provar o Espumante produzido na Madeira e galardoado dois anos seguidos com uma medalha de Ouro. Queriam saber como era feito, quem o fazia, quais as castas, quanto tempo de estágio, quais as leveduras usadas, etc...a todos dizia que poderiam saber tudo isso, mas nunca conseguiriam imitar-nos porque não tinham o nosso “terroir”, ou seja o conjunto designado por aquele palavrão francês sem tradução directa em nenhuma língua e que é o conjunto do clima, do solo e da casta.

Os elogios foram muitos quer de apreciadores de espumantes, de jornalistas da especialidade e de escanções muito traquejados nesta área. Foi uma boa promoção, não só do Espumante Terras do Avô, como também, da terra que o produziu. Enviei mensagens ou fiz telefonemas para os principais órgãos de comunicação Social da Região. A imprensa escrita logo se pôs em campo e pouco tempo depois já noticiava o prémio na net e no dia seguinte na informação em papel. A RTP/Madeira prometeu fazer uma gravação alguns dias depois, mas apesar de se terem passado mais de 15 dias ainda não nos contactaram e a rádio não sabemos se disse alguma coisa porque eu não estava cá e por isso não sei nada.

Curiosamente apesar de já se ter passado esse tempo, também os senhores do Governo, pelo segundo ano consecutivo esqueceram-se de nós e até hoje, nem uma palavra ou um simples cartão nos enviaram...Só queremos lembrar que conseguimos as únicas medalhas de ouro para um vinho não Madeira, desde sempre, apesar de não termos tradição de produção de espumantes. A qualidade, marca-nos...

Será que de facto há algum interesse em produzir produtos que prestigiem a nossa Região? Será que vale a pena INOVAR numa terra em que só os laranjas são reconhecidos? De qualquer modo manteremos o nosso rumo, mostrando a diferença e colocando a nossa Madeira na rota da qualidade...

Outro aspeto que queríamos salientar, foi a presença da Madeira na Feira Nacional de Agricultura de Santarém, evento que costumo visitar, deste ano. Um dos piores pavilhões de que tenho memória. Passei por lá por volta do meio dia e viam se algumas pessoas, dirigentes, da agricultura madeirense e nem uma pessoa a visitar...Dei a volta e passei por volta das 13 horas, não estava ninguém para prestar qualquer informação e voltei a passar pelas 15 horas e ainda não tinham voltado do almoço. Certamente que se gastou uma pequena fortuna, financiada pela Comunidade Europeia para nada....

Curiosamente o tema da feira era ‘A vinha e o Vinho’. Vimos algumas garrafas de vinho Madeira, numa espécie de vitrines, vimos uma garrafa de Sidra (vinho?) e nem uma única garrafa de vinhos madeirenses, tanto tranquilos, como de espumante, o que demonstra realmente que para o Governo Regional e em especial a Secretaria Regional da Agricultura, só o Vinho Madeira interessa....

E eu a pensar que foram vários os anos em que a troco de nada, colaborei com a Madeira neste Evento Nacional....

Duarte Caldeira Ferreira
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