‘Start up’ holandesa quer massificar produção de energia a partir de plantas

09 Nov 2018 / 04:45 H.

A ‘startup’ holandesa Plant-e.com está na cimeira tecnológica Web Summit, em Lisboa, para tentar angariar investidores no sentido de internacionalizar a sua ideia “demasiado boa para ser verdadeira”: produzir energia a partir das plantas.

Criada em Wageningen, na Holanda, em 2013, por Marjolein Helder, uma especialista em tecnologia ambiental, a companhia quer contribuir para minorar os problemas ambientais e energéticos do planeta, definindo-se como “parte da solução” por ser uma plataforma “sustentável, limpa e que produz de forma contínua”.

“Fiz o meu doutoramento baseado nesta tecnologia e ao fazer a pesquisa decidi criar uma empresa. Decidimos não incluir logo outros investidores nos primeiros tempos para podermos crescer com os pés assentes na terra, mas, agora, é tempo de crescer, aumentar a escala de produção e criar projetos a nível internacional. Para isso, precisamos de cerca de três milhões de euros”, sublinha.

Em declarações à Lusa, Marjolein Helder, de 35 anos, explica que o processo energético passa pelos “neutrões libertados na produção de matéria orgânica” dentro do canteiro de plantas. A banca da própria ‘startup’ distingue-se da maioria de companhias aqui presentes: não há computadores, monitores ou tablets, apenas um pequeno canteiro com plantas verdadeiras e ‘led’s’ integrados na terra, que se acendem com o carregar de um botão.

“Este canteiro consegue apenas acender alguns ‘led’s’, mas estimamos que um hectare possa vir a alimentar o consumo de energia de diversas casas. No entanto, a minha visão não é quanta energia vamos criar, é o quão benéfica esta tecnologia pode ser para o ambiente. Queremos também dar valor a terras que não são atualmente valorizadas”, acrescenta.

Presente pela primeira vez na Web Summit, a ‘startup’ holandesa faz um balanço positivo do trabalho realizado na cimeira tecnológica, apesar do “caos” do primeiro dia, realçando o encontro de investidores que partilharam a visão ambiental e energética da companhia.

Num tempo marcado pelas alterações climáticas, pela incerteza da produção energética através de combustíveis fósseis e pela contestação de alguns países, como os Estados Unidos da América, ao Acordo de Paris, Marjolein Helder aponta múltiplos benefícios para a sua tecnologia.

“Se conseguirmos dar escala a esta tecnologia, poderemos, por exemplo, ter campos de arroz a funcionarem com a sua própria energia e abastecendo os seus próprios meios de produção. Não produz carbono, torna o planeta mais verde e é uma fonte contínua de energia. Parece demasiado bom para ser verdade”.

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