Representante de Guaidó descarta retirada do país da OEA

17 Fev 2019 / 21:48 H.

O representante na Organização dos Estados Americanos (OEA) de Juan Guaidó, autoproclamado presidente interino venezuelano, descartou hoje que o país vá retirar-se daquele organismo e confirmou o pedido para suspender o processo de saída iniciado em 2017.

“A Venezuela não vai sair da OEA”, afirmou Gustavo Tarre em declarações à agência Efe, um dia depois de o ministro venezuelano dos Negócios Estrangeiros, Jorge Arreaza, ter anunciado em Caracas que o país irá abandonar daquele organismo a 27 de abril.

Em abril de 2017, a Venezuela tornou-se no primeiro país a pedir a saída da OEA, ao denunciar a carta constitutiva daquela entidade, de 1948, decisão que se torna efetiva ao fim de dois anos.

“Uma das primeiras decisões que [Guaidó] tomou foi retirar o pedido de denúncia da carta da OEA”, apresentado pelo Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, referiu.

Gustavo Tarre indicou que Nicolás Maduro já se tinha retirado do Sistema Interamericano dos Direitos Humanos, depois de denunciar a Convenção Americana dos Direitos Humanos, decisão que entrou em vigor a 10 de setembro de 2013.

O representante de Juan Guaidó considerou um “paradoxo” que o embaixador do Governo de Nicolás Maduro na OEA, Samuel Moncada, assegure que ninguém o tira daquela entidade, mas “depois o ministro dos Negócios Estrangeiros diz que vão sair”.

“A abordagem que é clara é que a Venezuela não sai: pode ser que Arreaza e que Moncada saiam, mas a Venezuela fica, porque o Presidente legitimo da Venezuela o pediu a [o secretário-geral da OEA Luis] Almagro que ficasse sem efeito a carta de saída”, disse.

Segundo Gustavo Tarre, resolver a questão da representação venezuelana na OEA depois dessa data “é muito fácil”.

“Se é que existe [então] o Governo de Maduro, eles vão embora e nós ficamos”, afirmou Gustavo Tarre, que apelidou a administração de Maduro de “pseudo governo”.

A Venezuela vive grande instabilidade política desde 10 de janeiro passado, quando Maduro tomou posse após umas eleições que não foram reconhecidas como legítimas pela maioria da comunidade internacional.

A crise política agravou-se em 23 de janeiro, quando o líder da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, se autoproclamou Presidente da República interino e declarou que assumia os poderes executivos de Nicolás Maduro.

Guaidó, 35 anos, contou de imediato com o apoio dos Estados Unidos e prometeu formar um governo de transição e organizar eleições livres.

Nicolás Maduro, 56 anos, no poder desde 2013, recusou o desafio de Guaidó e denunciou a iniciativa do presidente do parlamento como uma tentativa de golpe de Estado liderada pelos Estados Unidos.

A maioria dos países da União Europeia, entre os quais Portugal, reconheceram Guaidó como Presidente interino encarregado de organizar eleições livres e transparentes.

Esta crise política soma-se a uma grave crise económica e social que levou 2,3 milhões de pessoas a fugirem do país desde 2015, segundo dados das Nações Unidas.

Na Venezuela, antiga colónia espanhola, residem cerca de 300.000 portugueses ou lusodescendentes.

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