Petroleiro iraniano perseguido pelos EUA altera destino para porto da Turquia

24 Ago 2019 / 12:26 H.

Um petroleiro de bandeira iraniana perseguido pelos EUA alterou hoje o seu destino para um porto na Turquia, depois de a Grécia se recusar a recebê-lo após pressões de Washington.

A tripulação do Adrian Darya 1, anteriormente conhecido como Grace 1, atualizou o destino no seu Sistema de Identificação Automática (AIS, na sigla inglesa) para Mersin, uma cidade portuária do sul da Turquia, onde se localiza um terminal de petróleo.

No entanto, as tripulações podem introduzir qualquer destino no AIS, pelo que a Turquia pode não ser o verdadeiro destino do navio.

Mersin dista cerca de 200 quilómetros da Refinaria de Baniyas, na Síria, para onde as autoridades alegaram que o Adrian Darya se dirigia, antes de ser apreendido, em Gibraltar, no início de julho.

Nem as autoridades de Teerão, nem os responsáveis turcos, nem os órgãos de comunicação estatais iranianos reconheceram o novo destino declarado pelo Adrian Darya, que transporta 2,1 milhões de barris de petróleo bruto iraniano, no valor de cerca de 130 milhões de dólares americanos (117,1 milhões de euros).

O site de rastreamento de navios MarineTraffic.com mostrava a posição do Adrian Darya a sul da Sicília, no Mar Mediterrâneo, estimando que, se mantiver a velocidade, o Adrian Darya chegará a Mersin em cerca de uma semana.

A detenção do Adrian Darya -- posteriormente libertado - em Gibraltar aumentou as tensões entre Washington e Teerão, depois de Donald Trump ter retirado unilateralmente os EUA do acordo nuclear do Irão com as potências mundiais.

Desde então, o Irão perdeu biliões de dólares em negócios permitidos pelo acordo, uma vez que os EUA impuseram e criaram sanções que impedem Teerão de vender petróleo, uma fonte crucial de rendimento para a economia da República Islâmica.

Nos documentos do Tribunal Federal dos EUA, as autoridades alegam que o verdadeiro dono do Adrian Darya é a Guarda Revolucionária do Irão, uma organização paramilitar que responde apenas ao líder supremo, o aiatola Ali Khamenei.

Os EUA declararam a Guarda como uma organização terrorista estrangeira em abril, dando-lhe o poder legal de emitir um mandado de captura da embarcação. No entanto, a apreensão da embarcação exige que a outra nação reconheça o mandado.

O Adrian Darya tinha colocado o seu destino pretendido como Kalamata, na Grécia, embora o porto não tenha infraestruturas para descarregar o petroleiro. O Departamento de Estado dos EUA pressionou então a Grécia, para não ajudar o navio.

Enquanto isso, o Irão continua a deter o petroleiro Stena Impero, de bandeira britânica, que foi apreendido em 19 de julho, após a tomada do Adrian Darya.

Os analistas sugeriram a libertação do Adrian Darya, para permitir a saída do Stena Impero, mas isso ainda não aconteceu.

O chefe da poderosa Guarda Revolucionária do Irão, general Hossein Salami, disse hoje ter testado com sucesso um “novo míssil” na sexta-feira, sem dar mais detalhes sobre o tipo de arma, segundo a agência de notícias Tasnim.

O presidente do Irão, Hassan Rouhani, estreou na quinta-feira um sistema de mísseis de defesa aérea feito no Irão, o Bavar-373.

Em junho, o Irão abateu um ‘drone’ de vigilância norte-americano no Estreito de Hormuz.

O Presidente Donald Trump chegou perto de retaliar, mas cancelou um ataque aéreo no último momento.

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