ONG denuncia que mais de 1.200 presos estão a morrer à fome na Venezuela

12 Dez 2019 / 09:07 H.

Uma organização não-governamental (ONG) venezuelana denunciou hoje que mais de 1.200 detidos no centro penintenciário da região capital Rodeo III, a leste de Caracas, iniciaram um protesto devido à falta de alimentos.

Os presos estão “há dias a comer água com sabor a feijão”, e enviaram “vídeos e fotografias para provar” que tipo de alimentos recebem e “as condições em que se encontram”, indicou o Observatório Venezuelano de Prisões (OVP), numa mensagem na rede social Twitter.

“A má alimentação que os presos de Rodeo III recebem causou uma considerável perda de peso, e deixou muitos subnutridos”, acrescentou.

O OVP denunciou ainda que um grupo de presos decidiu reclamar o direito à alimentação e foi agredido por funcionários do Grupo de Resposta Imediata e Custódia (GRIC) do Ministério do Serviço Penitenciário venezuelano.

“Alguns detidos foram feridos, com balas de borracha, mas mesmo assim decidiram não ficar calados e durante a noite começaram uma greve de fome de protesto”, afirmou a ONG.

O OVP acrescentou que as tentativas dos presos de falar com a direcção da prisão ficaram sem resposta.

Num dos vídeos divulgados, um detido, com a cara tapada por temer represálias, explicou que a direcção da prisão “não quer ver a situação divulgada”. “Estão a matar-nos à fome”, alertou.

Os presos exigem às autoridades penitenciárias que autorizem familiares a levar alimentos, garantam cuidados médicos e também a resolução da situação de alguns detidos que “já cumpriram a sentença, mas continuam na prisão”, de acordo com o OVP.