Notre-Dame: O incêndio que está a chocar os franceses e o mundo

15 Abr 2019 / 22:01 H.

O incêndio que está a consumir hoje o icónico monumento francês Notre-Dame, uma catedral com 800 anos, deixou chocada a população francesa, mas também o mundo, solidário com Paris.

“Notre-Dame de Paris em chamas. Emoção de toda uma nação. Pensada para todos os católicos e para todos os franceses. Como todos os nossos compatriotas estou triste de ver arder esta parte de nós”, disse esta noite na rede social Twitter o Presidente francês, Emmanuel Mácron.

No local, parisienses, mas também turistas assistiram incrédulos ao incêndio, alguns deles em lágrimas, vendo nomeadamente a queda do pináculo da catedral que era o monumento mais visitado da Europa.

O incêndio, de origem desconhecida e “potencialmente ligado” aos trabalhos de renovação do edifício, segundo os bombeiros, aconteceu no primeiro dia da Semana Santa, uma importante festa cristã.

Dirigentes de vários países já expressaram emoção e solidariedade, do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que falou das “imagens terríveis de ver”, à chanceler alemã, Angela Merkel, que considerou Notre-Dame um “símbolo da França e da cultura europeia”.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, declarou-se “horrorizado” com as imagens do incêndio, “uma joia única do Património Mundial”.

O Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, enviou um “abraço sentido” ao chefe de Estado francês, lamentando o incêndio, e o primeiro-ministro, António Costa, também transmitiu a Emmanuel Mácron e à presidente da Câmara, Anne Hidalgo, uma mensagem de solidariedade pelo “terrível incêndio”.

A primeira ministra britânica, Theresa May, disse que os seus “pensamentos estão com a população francesa” e do Vaticano chegou também uma mensagem de “incredulidade” e de “tristeza”.

“Cenas comoventes da catedral de Notre-Dame em chamas. Londres está hoje na tristeza com Paris, e na amizade sempre”, disse o presidente da Câmara de Londres, Sadiq Khan, na página Twitter.

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO, em inglês) também se afirmou “ao lado da França para salvar e restaurar o património inestimável” que é a catedral de Notre-Dame, disse a diretora-geral, Audrey Azoulay, na sua página no Twitter.

Inscrita como Património Mundial da Humanidade desde 1991, a catedral gótica foi construída na Ilha de França, em pleno centro de Paris. Em cada ano é visitada por cerca de 13 milhões de pessoas.

O incêndio propagou-se muito rapidamente e alastrou pelo sótão da catedral, disseram os bombeiros, referindo-se a um “fogo difícil”.

As chamas começaram supostamente ao nível dos andaimes instalados no telhado do edifício, construído entre os séculos XII e XIV.

“Tudo está em chamas. Da estrutura que data do século XIX de um lado e a estrutura do século XIII do outro não resta mais nada”, disse André Finot, porta-voz da catedral, citado pela agência de notícias AFP.

O porta-voz da Conferência Episcopal de França também lamentou que tenha ardido “um lugar cimeiro da fé católica”.

O Presidente francês cancelou uma comunicação que ia fazer esta noite sobre a crise dos “coletes amarelos”, um movimento de contestação que dura há cinco meses em França, e o discurso já gravado ficou adiado, sem nova data de transmissão.

Macron deslocou-se para o local do incêndio, estando também na zona da catedral o primeiro-ministro, Edouard Philippe.

Uma multidão juntou-se esta tarde em locais perto do monumento, apesar das cinzas e de pequenos pedaços de material a arder que caíam do céu, tapando a cara com lenços para se proteger do fumo, segundo um jornalista da AFP. “Ela tem mil anos”, dizia calmamente um homem à filha, de 10 anos.

A presidente da Câmara de Paris, Anne Hidalgo, lamentou o “terrível incêndio”, enquanto milhares de parisienses também denotavam tristeza com a destruição de um monumento que faz parte do ADN de Paris e de França, de acordo com a AFP.

As imagens do incêndio foram transmitidas em direto pela televisão, incluindo a queda do pináculo, erguido sobre os quatro pilares do transepto que tinha 93 metros de altura.

Esta noite o Governo francês já admitiu que os bombeiros não possam salvar a catedral.

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