May recebeu garantias da UE e vai apresentá-las hoje no parlamento

14 Jan 2019 / 10:10 H.

A primeira-ministra britânica, Theresa May, recebeu garantias da União Europeia (UE) sobre o acordo para a saída do Reino Unido da União Europeia (UE) e deverá fazer uma declaração no parlamento esta tarde, anunciou o ministro do Comércio Internacional, Liam Fox.

Em declarações ao programa “Today” da BBC Radio 4, o ministro não especificou quais são as garantias, mas tudo indica que elas estão relacionadas a salvaguarda estabelecida no acordo do ‘Brexit’ para evitar uma fronteira física entre as duas Irlandas e que está na origem da contestação de muitos deputados.

“A primeira-ministra espera fazer uma declaração hoje na Câmara dos Comuns delineando as garantias que recebeu da União Europeia depois de conversas nos últimos dias e espero que os meus colegas as escutem e reconheçam que é melhor apoiar o acordo do governo porque cumpre o resultado do referendo (de 2016) e o faz de forma a minimizar os riscos para a nossa economia”, disse Fox à rádio pública britânica.

A declaração será feita após um discurso esta manhã em Stoke-on-Street, uma cidade industrial no centro de Inglaterra que votou maioritariamente a favor da saída no referendo de 2016, onde Theresa May vai tentar aumentar a pressão nos deputados.

“Nós temos todos o dever de implementar o resultado do referendo”, vai ela avisar, segundo trechos divulgados antecipadamente pelo seu gabinete, advertindo que um fracasso “causaria danos catastróficos à confiança do povo no processo democrático e nos seus líderes políticos”.

Hoje é a véspera do voto sobre o acordo negociado pelo Governo com Bruxelas para garantir uma saída ordenada da UE e um período de transição até ao final de 2020, durante o qual serão negociadas as futuras relações entre as duas partes.

Porém, dezenas dos 317 deputados do partido Conservador e os 10 deputados do Partido Democrata Unionista ameaçaram reprovar o documento devido à insatisfação com a solução de salvaguarda incluída para evitar uma fronteira física entre a região britânica da Irlanda do Norte com a vizinha europeia Irlanda.

Para ser aprovado, o acordo precisa teoricamente de 320 votos a favor para contrariar mais de 300 votos esperados dos partidos da oposição, em particular do Partido Trabalhista, dos Liberais Democratas e do Partido Nacionalista Escocês.

O voto foi adiado anteriormente na véspera do dia previsto, em 11 de dezembro, quando May reconheceu que seria derrotada por uma “margem significativa” e prometeu pedir “garantias adicionais legais e políticas” sobre o mecanismo, que é suposto ser temporário.

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