Macau decreta quarentena obrigatória a trabalhadores não residentes que estiveram na China

Macau /
17 Fev 2020 / 11:12 H.

O Governo de Macau anunciou hoje que os todos os trabalhadores não residentes que estiveram na China continental nos últimos 14 dias vão ter de fazer uma quarentena na cidade vizinha de Zhuhai, antes de poderem entrar no território.

A medida entra em vigor a partir de quarta-feira à meia noite, explicaram as autoridades.

A imposição de 14 dias de quarentena é tomada porque, apesar das várias medidas já impostas pelo Governo de Macau para reduzir o fluxo nas fronteiras, no domingo as fronteiras registaram mais de “46 mil entradas e saídas do território”, explicou a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, Ao Ieong U.

Um despacho do chefe do executivo, divulgado hoje, determina que “todos os titulares do título de identificação de trabalhador não residente que pretendam entrar na RAEM [Região Administrativa Especial de Macau] e que nos 14 dias anteriores à sua entrada tenham visitado o Interior da China, necessitam de se sujeitar à observação médica por 14 dias em locais na Cidade de Zhuhai indicados pela autoridade sanitária e obter o certificado médico de não infecção”.

Só após esse certificado que comprova que a pessoa não está infectada com o novo coronavírus é que pode entrar em Macau.

As autoridades, “por motivo de interesse público, nomeadamente a prevenção, controlo e tratamento da doença, socorro e emergência”, podem dispensar “o cumprimento das medidas”, lê-se no despacho do chefe do executivo.

Durante a conferência de imprensa, as autoridades de Macau acrescentaram que caso o trabalhador não residente tenha vindo “do estrangeiro” têm também de ficar em observação médica em Macau e assumir as respectivas despesas.

No caso dos residentes de Macau, as autoridades aconselham a que estes façam quarentena durante 14 dias em casa.

Cerca de 10 mil trabalhadores não residentes e 10 mil residentes cruzam todos os dias as fronteiras, disse o secretário para a Administração e Justiça, Cheong Weng Chon.

Já os turistas provenientes da China continental não estão sujeitos a quarentena, mas as autoridades frisaram que caso o surto do novo coronavírus se agudize esta medida pode ser revista.

De acordo com os dados estatísticos, 1.400 turistas da China continental chegaram a Macau, do domingo, número considerado muito reduzido pelas autoridades, comparando com os cerca de 20 mil residentes e trabalhadores não residentes que cruzam as fronteiras diariamente.

“Neste momento, a situação epidémica está numa situação muito severa”, disse, durante a conferência de imprensa, a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura.

O Governo de Macau anunciou ainda hoje que a partir de quarta-feira às 00 horas os casinos do território vão poder reabrir as portas, encerradas há cerca de 15 dias para evitar a propagação do surto do novo coronavírus na capital mundial do jogo.

O chefe do executivo de Macau determinou por despacho que “é levantada a medida excepcional a partir das 00 horas de dia 20”, disse o secretário para a Administração e Justiça, Cheong Weng Chon.

O Governo de Macau deu aos casinos um período de 30 dias, a partir das 00 horas de dia 20 para poderem começar a abrir as portas, explicaram as autoridades de Macau.

Passados esses 30 dias, um período de transição, todos os casinos devem estar abertos, reforçou o Governo de Macau.

Por esta razão, e devido às medidas impostas relativamente aos trabalhadores não residentes, o secretário para a Economia e Finanças Lei Wai Nong, voltou a apelar aos operadores dos casinos para arranjarem alojamento em Macau para estas pessoas.