Irão sob pressão após ataques a petroleiros no Golfo de Omã

16 Jun 2019 / 06:01 H.

O príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, disse este sábado que “não hesitará” reagir a qualquer ameaça contra o reino, comentando a tensão com o Irão, após o ataque a dois petroleiros no Golfo de Omã.

“Não queremos uma guerra na região (...), mas não hesitaremos em reagir a qualquer ameaça contra o nosso povo, a nossa soberania, a nossa integridade territorial e os nossos interesses vitais”, disse o príncipe, em entrevista ao diário de língua árabe Asharq al-Awsat, citado pela agência noticiosa francesa AFP.

Mohammed bin Salman acusa o Irão de ser o autor do ataque contra os dois petroleiros, posição corroborada pelos Estados Unidos, pela Grã-Bretanha e pela Liga Árabe.

Irão protesta contra Londres

Já o Irão “protestou veementemente” com a Inglaterra depois de Londres ter manifestado a sua concordância com os Estados Unidos sobre a responsabilidade iraniana no ataque a dois petroleiros.

Segundo uma notícia da agência noticiosa AP, que cita a agência iraniana IRNA, o Irão convocou o embaixador britânico em Teerão, para lhe expressar o seu descontentamento com esta tomada de posição.

A IRNA escreve que o diplomata iraniano Mahmoud Barimani reuniu-se com o embaixador britânico Robert Macaire, com o qual “protestou fortemente” contra a “perseguição cega e apressada” dos Estados Unidos em acusarem o Irão pelos ataques aos navios.

Teerão pediu também uma “correção” da posição da Grã-Bretanha face ao ocorrido.

O Ministério das Relações Exteriores britânico declarou, em comunicado, que “é quase certo que um ramo das Forças Armadas iranianas”, a Guarda Revolucionária Islâmica, atacou os petroleiros na quinta-feira.

EUA apontou dedo ao ‘eterno’ inimigo

Após o ataque aos dois navios, que foram socorridos pela Marinha norte-americana, os EUA imediatamente culparam o Irão pela agressão, apesar de Teerão ter declarado não estar envolvido e acusar Washington de uma “campanha iranofóbica”.

Na quinta-feira, um petroleiro norueguês e outro japonês foram atacados quando navegavam no Golfo de Omã, junto ao Estreito de Ormuz, ao largo do Irão.

O incidente acentuou a tensão entre os dois países, depois de os Estados Unidos terem anunciado a saída do acordo nuclear de 2015 e a aplicação de sanções ao Irão.