Em 8 anos mais de 2.700 pessoas morreram em prisão na Venezuela segundo o OVP

25 Jul 2019 / 22:24 H.

Mais de 2.700 pessoas morreram nos últimos oito anos na Venezuela devido a atos violentos, problemas de saúde e agora por desnutrição, segundo dados divulgados hoje pelo Observatório Venezuelano de Prisões (OVP).

“Há oito anos que foi criado o Ministério de Serviço Penitenciário e fizemos uma investigação (...) morreram mais de 2.700 presos e outros 3.000 ficaram feridos”, disse o diretor do OVP, Humberto Prado.

Os dados foram divulgados em Caracas durante a apresentação do relatório da OVP sobre a situação nas prisões durante o primeiro semestre de 2019, e do fórum “estar preso na Venezuela é uma condenação à morte”.

“No primeiro semestre (de 2019), 59 pessoas privadas de liberdade morreram sob custódia e responsabilidade do Ministério Penitenciário”, disse.

Nesse sentido, precisou que “39% morreram por (atos de) violência e 61% por problemas de saúde (doenças), por tuberculose, hepatite, dengue hemorrágico, sida e agora, por uma nova figura, por desnutrição”, explicou Prado.

“No nosso país, até de fome morrem os presos”, disse, explicando que o OVP tem “informação de que nas prisões de El Dorado (sudeste do país) os presos são enterrados em fossas comuns e são os familiares quem assumem os gastos funerários”.

Segundo o diretor do OVP “é totalmente falso” que o Ministério Penitenciário controle o que acontece nas cadeiras venezuelanas.

Aquele responsável explicou ainda que “50% da população penitenciária está detida por roubo, 20% por tráfico de droga” e que 40% dos detidos têm entre 18 e 30 anos de idade, apresentando, na sua maioria, problemas de saúde dermatológicos e gastrointestinais.

Segundo Humberto Prado, os líderes de grupos criminosos encarcerados controlam 57% da população prisional do país, a quem subornam frequentemente.

“É uma espécie de economia selvagem porque quem não pagar morre. Os familiares têm pagar subornos”, frisou.

Na Venezuela mais de 46 mil pessoas estão presas em 57 estabelecimentos prisionais e centros de detenção.