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Economista de Cambridge vaticina “lento declínio” do Reino Unido

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O economista sul-coreano e professor da Universidade de Cambridge Ha-Joon Chang avisou que o futuro do Reino Unido será um “declínio contínuo”, após a saída da União Europeia (’Brexit’).

“Não sou um cidadão britânico e neste momento eu digo graças a Deus”, ironizou o economista, muito crítico da decisão do país em sair da União Europeia.

Uma coisa era o Reino Unido “entrar ou não”, mas em 1973, essa foi a “escolha política tomada” e, desde então, os britânicos “estruturaram a maior parte da sua economia de acordo com as regras da União Europeia”, disse, em entrevista à agência Lusa.

Com a saída do mercado-comum, o Reino Unido ficará isolado e o seu mercado interno não é suficiente para a produção que tem. E, por outro lado, as grandes marcas internacionais que escolhiam a ‘city’ de Londres para se representarem na Europa vão “sair naturalmente”.

“A Nissan já saiu, a Honda vai sair” e o “resultado será o declínio económico”, disse.

Hoje em dia, disse, “a Inglaterra já tem vários problemas com a qualidade da mão-de-obra, mas muitas empresas ainda investem no país porque se fala inglês e porque é a Inglaterra e faz parte da União Europeia”.

Por isso, no futuro próximo, o economista não vê “nenhuma razão para que uma empresa estrangeira queira investir na Inglaterra” por causa das “regras simples do capitalismo”: Um “mercado tem 500 milhões de pessoas e o outro tem 60 milhões, qual vou escolher”, questionou.

“Não vai ser um completo colapso, mas vai ser um lento declínio”, disse, acusando os políticos e os ‘media’ britânicos de terem conduzido o país a este beco: “É difícil acreditar que este é um país que já produziu mais de metade das manufaturas mundiais”.