Confrontos em Idlib fizeram 300 mil deslocados desde Dezembro
Pelo menos 300 mil pessoas foram obrigadas a abandonar as respetivas casas na província de Idlib (noroeste da Síria) desde meados de dezembro devido à ofensiva das forças governamentais sírias neste último reduto rebelde, divulgou hoje a ONU.
“Pelo menos 300 mil civis fugiram das suas casas na zona sul de Idlib desde meados de dezembro, após uma forte escalada das hostilidades”, afirmou o vice-coordenador regional humanitário da ONU para a crise na Síria, Mark Cutts.
O representante alertou que a situação destes civis está a ser agravada devido às baixas temperaturas sentidas nesta altura do ano naquela região.
“Tudo isto está a acontecer debaixo de temperaturas rigorosas de inverno, que representam mais riscos para as pessoas que fugiram com pouco mais do que as roupas que tinham no corpo”, realçou Mark Cutts.
Citado pelas agências internacionais, o representante da ONU manifestou-se “alarmado” com a “deterioração da situação humanitária em Idlib”, onde cerca de três milhões de civis, “a grande maioria mulheres e crianças”, continuam retidos numa zona de guerra.
Desde abril de 2019, as forças do regime sírio liderado por Bashar al-Assad, com o apoio da Rússia (o seu aliado tradicional), têm conduzido e intensificado ataques nesta zona (província de Idlib e arredores), encarada como o último bastião insurgente no território sírio.
Após um cessar-fogo unilateral iniciado em agosto último, as forças leais a Bashar al-Assad retomaram, em 19 de dezembro, as ações militares nesta província, mas a progressão no terreno tem sido pouco significativa, nomeadamente nestes primeiros dias de 2020.
Segundo as estimativas da ONU, a ofensiva militar das forças de Damasco nesta região já provocou mais de mil mortos.
“Esta última vaga de deslocamentos agrava uma situação que já é grave”, frisou Cutts, avançando que o número total de deslocados devido aos combates em Idlib nos últimos oito meses é superior a 700 mil.
O responsável alertou igualmente para as dificuldades sentidas no terreno, nomeadamente na prestação de cuidados médicos.
“Pelo menos 13 centros de saúde em Idlib foram forçados a suspender as suas operações devido à situação de segurança, o que agrava o sofrimento da população local e aumenta os níveis de vulnerabilidade”, afirmou ainda Cutts.
Desencadeado em março de 2011 pela violenta repressão do regime de Bashar al-Assad de manifestações pacíficas, o conflito na Síria ganhou ao longo dos anos uma enorme complexidade, com o envolvimento de países estrangeiros e de grupos ‘jihadistas’, e várias frentes de combate.
Num território bastante fragmentado, o conflito civil na Síria provocou, desde 2011, mais de 370 mil mortos, incluindo mais de 100 mil civis, e milhões de deslocados e refugiados.