Bolsonaro pede “responsabilidade” aos argentinos para evitarem uma nova Venezuela

06 Jun 2019 / 19:54 H.

O Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, apelou hoje, em Buenos Aires, à responsabilidade dos argentinos na hora de votar, em outubro, para que o país não se torne uma nova Venezuela na região.

“Toda a América do Sul está preocupada para que não tenhamos novas ‘Venezuelas’ na região”, disse Jair Bolsonaro, numa declaração ao lado do Presidente argentino, Mauricio Macri, na Casa Rosada, sede do Governo, em Buenos Aires, durante a visita oficial que está a realizar à Argentina.

Bolsonaro apelou à “responsabilidade” do povo argentino, tendo em conta as eleições de outubro, e colocou-se como exemplo do que os argentinos deveriam seguir: “Todos têm que ter, assim como o Brasil em grande parte teve, muita responsabilidade, muita razão e menos emoção para decidir o futuro da Argentina”.

“Presidente Macri, meu irmão, temos praticamente os mesmos ideais”, concluiu, diferenciando-se da candidata e ex-Presidente argentina Cristina Kirchner (2007-2015), que concorrerá à vice-Presidência da Argentina nas eleições de outubro.

“O objetivo maior é a liberdade. Que Deus abençoe o povo argentino para que possa escolher o melhor porque, dessa forma, teremos paz, prosperidade e alegria entre os nossos povos”, afirmou o Presidente brasileiro.

Após as declarações na Casa Rosada, Bolsonaro voltou a alertar os argentinos sobre o que entende por “retrocesso”, tendo sempre Kirchner - próxima dos anteriores Presidentes brasileiros, de esquerda, Lula da Silva e Dilma Rousseff - como alvo.

“As experiências do passado devem servir como lição”, alertou, antes do almoço oferecido pelo Presidente Macri, referindo-se ao “que não deu certo, como na Venezuela”.

“Mais importante que a questão da corrupção é a questão ideológica. A ideologia pode levar a liberdade”, advertiu Bolsonaro.

A ex-Presidente argentina Cristina Kirchner responde a 13 processos penais, a maioria por corrupção. Está desde 21 de maio em julgamento e tem dois pedidos de prisão preventiva que só não são executados devido à sua imunidade como atual senadora.

Cristina Kirchner anunciou que vai concorrer à vice-Presidência da Argentina, tendo como candidato a Presidente o seu ex-chefe de Gabinete, Alberto Fernández. A estratégia visa diminuir a polarização sobre o seu nome, enquanto mantém a imunidade do cargo de vice-Presidente que, na Argentina, ocupa automaticamente a Presidência do Senado.