Saldo natural negativo ‘empurra’ para baixo a população da Madeira em 2018

Apesar do saldo migratório positivo, com entrada de emigrantes da Venezuela, a perda de residentes, ainda assim, foi de apenas -1,7%

14 Jun 2019 / 14:00 H.

“De acordo com as Estimativas da População Residente, em 31 de Dezembro de 2018, residiam na Região Autónoma da Madeira (RAM) um total de 253.945 pessoas, das quais 118.585 homens e 135.360 mulheres”, informa hoje a Direcção Regional de Estatística, acompanhando a divulgação feita também pelo INE para o território nacional.

Diz a DREM que “apesar de mais suavizada, manteve-se, assim, a tendência de decréscimo populacional encetada em 2011, significando uma redução de 423 pessoas face a 2017 e uma taxa de crescimento efectivo negativa”, de -1,7 pontos percentuais (‰), o que compara com os -2,0‰ em 2017.

Tal como já anunciado anteriormente, “o saldo natural negativo (-811), que traduz um número de óbitos superior ao de nascimentos, foi determinante para a evolução que a população residente da Região apresenta em 2018, pois apesar do saldo migratório voltar a ser positivo (+388), impulsionado pelo regresso dos emigrantes da Venezuela à RAM, o mesmo não foi de dimensão suficiente para contrabalançar o valor do saldo natural que constitui o segundo valor mais baixo desta década (-993 em 2014). Porém, o aumento do número de óbitos (+216) e o decréscimo no número de nascimentos (-41), face a 2017, revelaram-se determinantes no acentuar do saldo natural negativo na Região”.

Com vários problemas por resolver, nomeadamente na natalidade, a única excepção dos municípios da Região foi Santa Cruz (7,4‰) e do Porto Santo (0,6‰)”, dado que “todos os restantes municípios da RAM apresentaram taxas de crescimento efectivo negativas, tendo-se observado os maiores decréscimos populacionais nos municípios de Machico, Santana e Porto Moniz (-8,8‰, -8,6‰ e -8,5‰, respectivamente)”.

Diz ainda a entidade estatística que “em 2018, a densidade populacional da RAM era de 316,8 habitantes por Km2. O Funchal foi o município a registar o maior valor (1.366,5 Hab/Km2), contrastando com o Porto Moniz, que apresentava o valor mais baixo (28,3 Hab/Km2)”.

No que toca à proporção de jovens (população com menos de 15 anos), este indicador “continuou a diminuir em 2018, representando 13,5% da população total (13,9%, em 2017). A proporção de idosos (população com 65 ou mais anos) manteve também a tendência crescente dos últimos anos, atingindo 16,7% da população residente (16,4%, em 2017). Em consequência, o índice de envelhecimento continuou a aumentar, fixando-se em 123,6 pessoas idosas por cada 100 jovens (117,8 em 2017)”, num agravamento de 5,8 pontos. “Os valores mais elevados deste indicador registaram-se em São Vicente (253,5), Santana (243,9) e Porto Moniz (224,5); os valores mais baixos foram observados em Santa Cruz (71,0) e Câmara de Lobos (77,2)”, apontou.

Por fim, aponta: “Em 2018, diminuiu ligeiramente o número médio de filhos por mulher, traduzido pelo índice sintético de fecundidade, situando-se em 1,15 filhos por mulher (1,16 em 2017)”, sendo este um dos referidos problemas a resolver, mas que, tal como mostra o saldo migratório positivo dos oriundos da Venezuela, poderá vir a contribuir para um aumento da população com o possível regresso de mais emigrantes madeirenses.

Refira-se que de manhã, segundo a Agência Lusa, o Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgara que a “população residente em Portugal continua a baixar, mas a um ritmo mais lento, por causa do saldo migratório, e no final do ano passado o valor estimado pelo INE era de 10.276.617 pessoas, menos 14.410 do que em 2017”, muito á semelhança do que aconteceu na Madeira, já que também no país “o saldo natural negativo agravou-se (de -23.432 pessoas em 2017 para -25.980 em 2018), incluindo o envelhecimento demográfico, fruto do aumento da população idosa e da diminuição dos jovens.

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