Professores da Madeira marcam manifestação em defesa da Escola Hoteleira

“Aumento brutal da carga horária” é uma das reivindicações

05 Dez 2019 / 21:11 H.

O Sindicato dos Professores da Madeira (SPM) encontra-se, neste momento, em reunião com os professores da Escola de Hotelaria e Turismo da Madeira, mais conhecida por Escola Hoteleira, para ultimar as linhas orientadoras de várias iniciativas que visam defender os interesses destes docentes. A primeira acontece já na próxima semana, um protesto pela cidade sobre o qual ainda estão a afinar os últimos detalhes: “Estão a matar a Escola Hoteleira. Há acções que vão chocar a opinião pública, é muito preocupante o que se está a passar. A Escola Hoteleira está em risco”, alerta Francisco Oliveira, do SPM, ao DIÁRIO.

Afirmando que já é tempo da sociedade saber o que se está a passar na instituição, e acusando a entidade que a explora de ter apenas uma visão economicista, um dos professores da Escola (que pediu para não ser identificado) explicou que este ano lectivo um dos principais problemas que a classe docente da Escola Hoteleira enfrenta, tem a ver com o “aumento brutal da componente lectiva”. Ou seja, por causa do aumento do número de semanas de aulas, os professores viram a sua carga horária aumentar mais 100 horas em comparação com a do ano passado.

Por isso, o calendário escolar da Escola Hoteleira também é uma das reivindicações, já que, por exemplo, as aulas começam a 3 de Janeiro na Escola Hoteleira, quando nas restantes têm início a 6 de Janeiro. Na Páscoa, por exemplo, acontece o mesmo: “É uma visão economicista de quem explora a escola. Os professores desta escola sofrem assédio moral, estamos sobrecarregados, incapazes para fazer outra coisa, desmotivados”. Para além disto, os professores queixam-se que faltam funcionários: “Muitos foram despedidos e outros meteram baixa e nunca mais voltaram. E não foram substituídos”, acrescenta a mesma fonte. Assistentes Operacionais é quem mais faz falta, sobretudo para o bar dos alunos que, por falta de trabalhadores, está encerrado várias vezes.

Os professores reclamam ainda das infraestruturas da instituição, que estão a precisar de obras urgentes e de material corrente: “Nem sabão para lavar as mãos tem, numa altura de gripes que é preciso ter mais cuidado...”.

Acusando a gestão da escola de ter uma posição de “quero, posso e mando”, os professores lembram que esta é uma “concessão muito duvidosa, uma história que ainda se encontra em Tribunal”, e esperam que o Governo Regional possa tomar alguma atitude, uma vez que já “demonstrou que gostaria de ser novamente proprietário da escola”.

Mais: os ordenados dos professores da Escola são pagos e a horas, mas milhares de euros são devidos a vários prestadores de serviço, acusam ainda.

“Aguentamos durante muitos anos, mas já não dá mais”, conclui a mesma fonte.

Depois da manifestação, Francisco Oliveira garante que os professores partirão para “iniciativas mais drásticas” se nada for feito: “O que se passa é demasiado grave. O que sai desta reunião é que está tudo mal, não só a escola como o hotel”, reitera.

Recorde-se, como o DIÁRIO noticiou em Outubro, que o Governo Regional decidiu dar um aval de 340 mil euros ao CELFF – Centro de Estudos Línguas e Formação do Funchal, entidade que explora a Escola Hoteleira. O aval destina-se a possibilitar ao concessionário da Escola de Hotelaria da Madeira a contracção de um empréstimo junto do Novo Banco, na modalidade de conta corrente. Manter a Escola em funcionamento até que esta entidade recebesse os dinheiros dos fundos comunitárias aos quais se candidata, foi a justificação do executivo madeirense.