Paulo Pereira não tem dúvidas de que “nunca se viajou tão barato como agora”

23 Jan 2019 / 16:43 H.

Em 1993, quando foi para a faculdade, Paulo Pereira pagava 25 contos (125 euros) por uma viagem de avião, de ida e volta, para Lisboa. Os preços eram fixos e o valor que o presidente da Delegação Regional da Madeira das Ordem dos Economistas pagava era superior ao que os estudantes pagam, 25 anos depois. “Nunca se viajou de avião tão barato para o continente como agora”, afirmou, na audição que decorreu na Comissão Eventual de Inquérito à política de gestão da TAP em relação à Madeira.

O representante da Ordem dos Economistas reconhece que o modelo de subsídio de mobilidade não é perfeito, mas também não tem dúvidas de que, desde que a linha foi liberalizada, é o melhor.

“Se fosse possível passar este modelo de apoio aos estudantes (quatro viagens a 65 euros) para todos os madeirenses, nunca mais se mexia. O mercado subia e era possível atrair uma terceira e uma quarta companhia”, assegura.

Paulo Pereira considera fundamental atrair mais companhias para a linha e entende que esse trabalho deve ser feito por uma entidade como a Associação de Promoção da Madeira.

Quanto à TAP, começa por lembrar que é uma empresa que tem objectivos a atingir e discorda do processo de reversão da privatização, levado a cabo pelo governo de António Costa. “Um erro completo” e uma “decisão folclórica” é como classifica a decisão do Governo da República de “gastar dezenas de milhões de euros” para passar a ter 50% do capital, quando antes tinha 34%, nomear administradores, mas não ter poder de decisão no funcionamento da empresa.

“Foi um desastre e o nosso azar foi estarmos aqui. Saiu-nos a fava neste processo”, afirma.

Paulo Pereira não acredita que haja cartelização de preços, face á pequena dimensão do mercado, nem tem a certeza de que o tecto de 400 euros, ficado para o subsídio de mobilidade, seja responsável pelo aumento dos preços.

Na próxima sexta-feira a comissão de inquérito, presidida por José Prada, vai ouvir o presidente da ACIF, Jorge Veiga França.

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