Paulino Ascenção diz que “Governo subsidia brinquedos caros para meninos ricos”

23 Jan 2020 / 16:03 H.

“O apoio à compra de carros eléctricos para uso particular, num milhão de euros, é uma ajuda à compra de brinquedos caros por meninos ricos, não vai resolver nenhum problema ambiental e muito menos do congestionamento do transito e da ocupação do espaço útil da cidade. Esse valor deve ser antes canalizado para investimento nos transportes públicos colectivos”.

A afirmação é de Paulino Ascenção, coordenador do Bloco de Esquerda na Madeira, e vem na sequência da manchete de hoje do DIÁRIO.

Para o bloquista, “as vantagens da substituição de veículos a combustão por eléctricos não são inequívocas do ponto de vista dos custos ambientais” e chama a atenção para os “danos da exploração e transformação do lítio” utilizado nas baterias do referidos veículos.

Além disso enumera “outros malefícios de uma mobilidade baseada no transporte individual”, que “persistem com a substituição por eléctricos”. Como sejam: “o congestionamento do trânsito, os tempos de deslocação crescentes, o stress, os acidentes, os encargos com a manutenção das vias e dos estacionamentos, o espaço subtraído nas cidades, etc”.

Assim, no entender de Paulino Ascensão, “o transporte colectivo surge como a alternativa que inequivocamente ataca todos estes problemas e ainda reduz a factura das importações de veículos e de combustíveis”. Por outro lado, “também favorece as camadas mais pobres que não têm alternativa de mobilidade, pois não ganham para pagar um carro”, vinca.

Ainda assim, o coordenador do Bloco reconhece que “faria sentido apoiar a introdução de veículos ligeiros eléctricos, cujo uso é interesse público: para servir como táxis ou na criação de novos modos de mobilidade como a partilha de automóveis, bicicletas ou trotinetes, como já acontece em muitas cidades pelo mundo”.